quinta-feira, 9 de julho de 2026

DAS ÁGUAS QUE ME TROUXERAM ATÉ AQUI...

Mais de três anos depois do último post, mas esse Veleiro provavelmente me acompanhará até o final da vida, ainda que as pausas nos portos fiquem cada vez mais distantes uma da outra...

Manuela já está com 3 anos e 7 meses. Como previsto, é a luz dos meus dias. Tão linda, tão feliz, tão inteligente e amável... Eu não sei nem descrever o conjunto de sentimentos bons que a presença dela me traz. Sem nenhuma dúvida ela é o presente que Deus me deu e eu nem sabia que precisava tanto...

Em 2024, minhas sempre muitas dificuldades financeiras chegaram ao auge, e eu tive que me desfazer do meu apartamento no Mirante. Essa é uma ferida que ainda não fechou. Na epoca eu chorava todos os dias porque meu nome estava sujo, devia uma infinidade de dinheiro em 3 cartões, várias parcelas do carro, 3 parcelas do apartamento, e não havia nenhuma previsão de que fosse melhorar. A única solução que pensei foi vender o apartamento, à vista, quitar o contrato com a Caixa e pagar o que pudesse com a sobra do dinheiro. Lembro que perguntei a Amilson (Capitão) se haveria possibilidade de distribuição de algum apartamento na Vila da Aeronáutica, ao qual ele teria direito, mas ele falou que havia acontecido uma há pouco tempo. Eu sei que Deus abençoou a minha decisão porque na semana seguinte surgiu uma nova distribuição (o que não é comum). Visitamos os apartamentos disponíveis e conseguimos um no segundo andar, na Vila mais tranquila, e da janela dá pra ver a praia. Eu sempre quis ver a praia da janela da minha casa. Acabei vendo, de um jeito ou de outro...

Eu vendi meu primeiro apartamento pra ir morar no Mirante, em 2017. Amilson tinha voltado pra casa, as meninas eram meninas mesmo... Fiz os móveis do jeitinho que queria, coloquei lindos papeis de parede. O quartinho das meninas com um beliche sob medida, armários embutidos com portas de correr, pranchinhas para elas colocarem os brinquedos. Pus armários grandes nos banheiros e armários amarelos na cozinha. Fiz uma bancada de granito pra colocar os eletrodomésticos. Na área de serviço instalei varais de aluminio. O vento corria bastante da varanda pra janela que ficava ao lado do tanque, e as roupas secavam rápido. Fernanda pequenininha gostava de jogar água com sabão no chão e ficar escorregando; eu não me importava, porque minha varanda tinha um ralo, a água escorria sem dar trabalho. Foi nessa mesma varanda que ela e Ana Luiza gravaram muitos vídeos fazendo slimes, dessa varanda eu conseguia ver os fogos de Reveillon de toda a orla, porque meu apartamento ficava no 13º andar. Dessa varanda eu via a piscina, e podia vigiar as meninas de lá. E como elas amavam a piscina... Ana Luiza cresceu correndo no estacionamento, na portaria, no hall, brincando de esconde-e-esconde, fazendo batalhas de balanço no parquinho... No Mirante eu transformei o 3ª quarto no meu escritório, com vários armarios e bancadas. E um dia eu disse: "Não me mudarei nunca mais".

Quando aquele casal chegou para visitar o apartamento, acompanhado do corretor, eu fiz propaganda do meu sonho, para convencê-los a levá-lo embora. Não precisei mentir: tudo ali havia sido pensado com tanto carinho que bastava descrever. E eles o compraram, por um valor menor do que eu havia pago, mas eu não estava em condições de exigir muita coisa... Em pouco tempo saímos de lá e viemos pra cá. Manu chorava todos os dias, sem querer subir quando o carro estacionava. Queria ir pra casa dela. Eu também, mas não podia chorar (embora tenha, escondido, chorado muito). Quando chegamos aqui, não tinha armários, e eu não podia comprar até que o dinheiro da venda fosse depositado. Durante muitos dias minhas coisas ficaram em caixas. As meninas dormiram por semanas em colchões no chão, porque no Mirante tudo era embutido e planejado, então não deu pra trazer todos os móveis. O banheiro principal tinha uma pia pequena. Perdi minha suíte, passei a dividir o chuveiro com as meninas, e a necessitar limpar o ralo sempre antes de cada banho, senão a água não desce. Percebi que não daria para guardar as panelas embaixo da pia, pois, quando tentei, elas mofaram. O passar dos anos me mostraria, depois, que todas as paredes do apartamento mofam... Mostraria também que a poeira entra pelas janelas o dia todo, já que estamos no 2º andar, e eu teria que varrer a casa várias vezes ao dia (e não seria suficiente). Mas os quartos são grandes, e no meu foi possível colocar duas pequenas mesas móveis de trabalho, uma para mim e outra para Amilson. Cada menina ganhou seu próprio quarto, menos Manu, que só consegue dormir agarrada em mim. Na sala tem muito espaço para Manu dançar assistindo aos seus vídeos de Blippi. Na garagem cabem, com jeitinho, dois carros, e Amilson não precisa mais deixar o dele do lado de fora. O condomínio é amplo e arejado. Mas o vento não entra nos apartamentos projetados há 5 décadas atrás... As portas e janelas estão emperradas e sujas... Tem muita formiga e outros insetos, pois as paredes antigas cheias de buracos servem de esconderijos para eles... Sobe-se de escadas, e estas vivem sujas também... Os extintores das paredes do prédio estão vencidos há pelo menos 5 anos... Mas da janela da sala eu consigo ver o mar...

No começo eu tentei desesperadamente dar a esse novo local uma cara de meu lar. Consegui em parte, mas agora não estou tentando mais. Não me apropriei dele. Às vezes olho para as paredes sujas de mofo e penso que poderia passar uma tinta nelas, colocar uma cor pra disfarçar os efeitos da umidade, mas logo essa vontade passa. Pensei em colocar varais de aluminio na área de serviço, depois desisti. Vou só passando os dias. As meninas não fizeram nenhuma amizade aqui. Fernanda até que tentou, mas não deu certo. Os vizinhos são meio estranhos comigo, talvez minha expressão séria também não ajude muito... O trabalho no posto ficou bem mais longe, passo mais tempo no trânsito e chego mais tarde em casa. Mas depois da venda do Mirante, as contas foram pagas. Apenas o Bradesco segue sem negociação, porque eles querem me extorquir e eu não aceito. Quitei o carro, os cartões, encerrei o contrato com a Caixa. Saí dos plantões e agora trabalho em várias clínicas populares. Em geral o dinheiro tem dado, mas não sobra nunca, e às vezes uma parte falta. Os dias vão passando e em alguns anos teremos que sair daqui. Amilson perde o direito ao apartamento quando se aposenta. Não faço a menor ideia do que faremos quando isso acontecer, não consigo enxergar mais a possibilidade de ter outro apartamento realmente meu. Hoje eu acho que isso não vai mais acontecer. Possa ser que daqui a um tempo, relendo esse post, eu descubra que a vida foi gentil comigo outra vez. Mas por enquanto eu estou só deixando passar os dias...

Virei aqui mais vezes, pelo menos nesse mês... Quero deixar algumas coisas registradas para a posteridade. Por hora fiquemos com fotos daquelas que fazem florir meus dias...







domingo, 1 de janeiro de 2023

BEM-VINDA, FADA MANU!

Ela chegou e eu nem tive como postar aqui... Veio no dia em que decidiu, ignorando a cesárea já agendada. Perdi o tampão mucoso por volta do meio-dia da sexta, 38 semanas e 6 dias... As dores intensificaram, eu fui aguentando até a noite, esperando mamãe chegar da viagem... Às 23h fomos eu e Amilson buscá-la no aeroporto, deixamos Ana Luiza e Fernanda na casa dela e seguimos para o hospital. Não tinha como esperar mais...

Manu nasceu na madrugada do sábado, 3 de dezembro, às 2:26h. Tinha mecônio na placenta, a pediatra desesperou-se. Eu vi realmente a saturação baixando um pouco, pegaram o baby puff e decidiram levá-la para a UTI. Quando ela saiu da sala a saturação estava acima de 94 com certeza. Se fosse eu no Guararapes teria mandado para o berçário, mas cada hospital tem seu protocolo... Ela ainda ficou 1h no CPAP, jamais saberei se por necessidade ou por caqueado... O fato é que passou 24 horas na UTI, e eu confirmei que ficar longe do RN, mesmo tendo a consciência de que ela não estava grave, não é uma boa sensação para a mãe...

Nas 24h seguintes tive muita dor. Talvez tenha falado muito antes da hora, enchido a barriga de gases... Também não fizeram morfina pós cirurgia... A questão é que senti uma dor incomensurável... Foram realmente 24h bem difíceis... Isso longe de Manu... A cabeça da mãe tem que estar muito boa... No domingo ela veio pro quarto e a dor começou a diminuir. Na segunda-feira 5 de dezembro fomos liberados e viemos para casa.

Nesses 29 primeiros dias de vida ela vem tendo cólicas, se abusando sem motivo, dormindo pouco à noite... Nada diferente de um RN normal. Ou então a idade me trouxe algum amadurecimento nesse sentido... O que eu consigo afirmar com certeza é que o amor chegou junto com ela, o que já torna tudo diferente do que aconteceu com Lulu e Nanda. Talvez torne um pouco menos difícil também... Fernanda tem dado trabalho nessa 1ª fase, querendo tomar a frente de coisas que ela não deveria fazer, como se Manu fosse a boneca dela... Parece bonitinho, mas atrapalha demais. Ana Luiza, pra variar, tem ajudado bastante... 

Eu queria deixar registrado o nascimento de Manu nesse início de 2023. Existem outros assuntos que quero falar, mas merecem um post à parte. Por hora contemplemos a beleza da minha nova palito de fósforo... 










quarta-feira, 23 de novembro de 2022

37 semanas e 4 dias...



Uma enorme sensação de exaustão... Dói o ombro direito, dói o punho, dói a região cervical posterior... Quando eu levanto, dói a região interna de coxa e o peso da barriga aparece com toda força... Minhas pernas estão retendo líquido e com a sensação de cansaço... Tô realmente não suportando mais, porém suportando porque não há outra opção...

Fernanda na semana de provas sem conseguir aprender nada, por preguiça, por déficit de atenção, por falta de uma mãe que a apoie... E eu não consigo apoiar ninguém agora, mal estou conseguindo me manter de pé... Queria na verdade que esse ano letivo acabasse...

Aquela frustração infinitamente grande de passar por dificuldades financeiras após 13 anos de formada... De não ter para onde correr (eu nem poderia correr, mesmo que tivesse para onde... 😒)... De ter cartões recusados, usar um celular terrível e não ter como comprar outro... Vontade de chorar, mas nem isso consigo...

Só quero que passe... Já deu...


sexta-feira, 18 de novembro de 2022

QUERIA AMAR ESTAR GRÁVIDA, MAS...


36 semanas e 6 dias... Não tem sido nada fácil... Boatos dizem que Manuela não vai esperar até o dia 5 de dezembro... Sinto dor pélvica diariamente, basta ficar de pé. Piora no final do dia e está associada à lombalgia. Se me deito em decúbito dorsal, não consigo respirar; se me deito em decúbito lateral, direito ou esquerdo, as costas doem. Muitas demandas ainda dependem de mim, e a cada dia eu me sinto menos operante para realizá-las...

Manuela mexe como uma louca e isso me dá náuseas. E tenho sono, muito sono. Na verdade é mais do que sono, é exaustão. 

Hoje rezei pedindo a Deus para ela chegar logo, mas que fosse feita a vontade dele, não a minha, porque é provável que eu não saiba o que digo...

Seguimos...

domingo, 6 de novembro de 2022

35 semanas...


Praticamente 6 meses após o último post. É necessário sempre esse período de ausência diante das mudanças. Mas como pretendo voltar a registrar muita coisa, aqui estou eu.

Hoje estou com 35 semanas e 1 dia. Meu bebê é outra menina, chamará Maria Manuela: Deus está conosco. Ele está sempre conosco. O princípio, como todos viram, foi difícil, mas Manu conseguiu se inserir na nossa rotina de um jeito bem adaptado. O Capitão mostrou que o tempo favoreceu seu amadurecimento: o jeito como ele está lidando com a paternidade nem de longe se compara à gravidez de Lulu. Fernanda está empolgada com a possibilidade de ser irmã mais velha, e talvez isso a ajude a amadurecer (ou talvez não, só o tempo dirá...). Ana Luiza está feliz também, mas do jeito dela, dentro da adolescência e seus conflitos. E eu estou feliz, embora reclame tanto...

Reclamo do peso da barriga, realmente está incomodando bastante. Mas sei que faz parte, vai passar, se Deus permitir no dia 5 de dezembro, data escolhida para a cesárea eletiva. Ninguém aqui pretende entrar em trabalho de parto ou parir normal. Faltam 29 dias e eu vou tentar pensar em cada um individualmente, porque 29 é muito tempo... 

A situação financeira não está legal. Mas Deus está conosco. Sempre esteve, nunca deixou faltar nada. Eu realmente não sei como se dará, mas as contas serão quitadas. Apenas aguardarei...Já apareceu uma possibilidade de licença maternidade por 120 dias com a qual eu nem contava... Para mim, já é um milagre...

Não sei se conseguirei dar conta das duas pós... Nesse momento, com a barriga tendo contrações de treinamento frequentes, estou tentando assistir a um vídeo sobre Bioestatística... Na semana que vem terei que me dedicar aos assuntos do IMIP... Só o tempo também dirá se vai dar certo ou não...

35 semanas e 1 dia... Estamos caminhando...

quinta-feira, 12 de maio de 2022

E LÁ VAMOS NÓS OUTRA VEZ...

 


 Lá atrás, nos tempos em que sonhar fazia parte da minha rotina, eu já quis ter uma família grande. Nunca me imaginei mãe, é verdade, mas pensava em casa cheia. O tempo passou e esse desejo, juntamente com vários outros, foi adaptado à realidade: tenho boletos, o custo de vida é alto, não quero morrer trabalhando, logo, não posso ter muitos filhos. Ponto final.

Tenho a impressão de que estava escrito: Marcella será mãe de Ana Luiza e só. Mas eu decidi inventar. Assumi (sem ter a menor ideia do que estava fazendo) a responsabilidade de ser mãe também de Maria Fernanda: "Eu consigo, claro!", foi o que argumentei. Resultado: Maria Fernanda deu um nó tão grande na minha vida que até hoje não foi desfeito, e tenho a impressão de que não será nunca mais... Se eu fosse escrever o que ficou bagunçado depois dela seriam precisos vários posts... Eu não enxergo no fim do túnel aquela luz que poderia me tranquilizar dizendo "Calma, vai ficar tudo bem...". Pelo contrário, a cada estação a viagem se torna mais difícil. E o pior é que já não consigo mais me imaginar seguindo um caminho sem ela...

Deus, porém, acredita que eu preciso ser lapidada ainda mais um pouco. Deve olhar para mim e pensar: "Não, não, ainda não aprendeu o suficiente". Provavelmente existe alguma coisa na maternidade que eu ainda não descobri e fico tentando buscar fora dela, então o Senhor disse "Vou dar mais uma chance". E assim começou a história da minha segunda gestação... 

Estou com 9 semanas e 5 dias. Nada foi planejado. Pra ser sincera, o que eu planejei na minha vida saiu sempre atravessado... Esse bendito casamento, por exemplo, que nunca foi o que eu pensei que seria... Inclusive Amilson está vivendo como se não existisse gestação, mas eu nem quero falar disso... Minha vida (?) acadêmica, que morreu antes de começar. Minha situação financeira, sem comentários. Enfim, essa gestação é mais uma coisa fora do planejamento com a qual tenho que lidar, e não estou sabendo, como nunca soube...

Não estou triste, também não estou feliz. Mas essa sensação já é nossa velha conhecida (vide esse post), vai passar com o tempo (sempre passa). Ana Luiza é a coisa mais maravilhosa da minha vida, embora em 2009 eu nem imaginasse isso. Maria Fernanda também é o toque apimentado especial dos meus dias, capaz de arrancar simultaneamente sorrisos e gritos. Essa criança saberá, no tempo certo, ocupar seu lugar dentro da minha rotina, tudo se ajeita. Eu me permito não suspirar com sapatinhos de tricô enquanto ainda for sonho a ideia de não depender de cheque especial...

9 semanas e 5 dias. Uma viagem que está apenas começando. Que Deus nos ajude...


terça-feira, 26 de janeiro de 2021

A VOLTA DOS QUE NUNCA FORAM...

Olá, Veleiro!

Sim, eu decidi voltar a escrever. Preciso demais disso aqui. Reli minhas postagens ontem, mostrei algumas a Ana Luiza... Como foi importante para mim esse momento!... Então, enfim, voltei.

Ana Luiza agora é uma moça de praticamente 11 anos. Gosta de gamesanimes, vê todos os vídeos de Naruto. É super inteligente, mas não curte muito essa história de estudar... Tem interesse por atividades esportivas (o completo oposto da mãe). Não acorda mais tãããão cedo e, dependendo do horário, engole todo mundo igual um dinossauro brabo... :D Continua sendo o farol que ilumina o mar da minha vida, mostrando o caminho sempre...

Maria Fernanda, com seus quase 7 anos, é uma explosão. Nada que ela toque na vida de alguém permanece do mesmo jeito. Incrível a capacidade de deixar de cabeça para baixo até o que aparenta ser mais firme... Tem hiperatividade, déficit de atenção, dificuldade de aprendizado na escola, vitiligo, dermatite atópica, sigmatismo... Com ela o que geralmente é fácil torna-se complicado. Mas é uma menina linda e cativante. Sabe se maquiar melhor do que qualquer um (melhor que a mãe com toda certeza...). Adora dançar, mas se interessa por funk, passinho, pagode... Cuida de todo mundo que estiver perto dela, com a mesma intensidade com que testa a nossa paciência. É ela quem faz meus dias ficarem mais desesperados coloridos...

O Capitão é um homem melhor, sem sombra de dúvida. Amadureceu. Enxerga a mim e às meninas como sua família. É o pai e chefe da casa. Acho que ainda formamos uma bela dupla. ;)

Profissionalmente, não fiz residência em pediatria nem em nada nessa minha vida. Atendo numa clínica popular e quase não tenho pacientes... Meu colega de clínica tem 40 anos de profissão, de modo que todas as mães preferem agendar consulta com ele... :( Esse é só um comentário relevante porque me sinto meio triste com essa história, e quero rir disso daqui a alguns anos... Mas estou bem no meu posto de saúde. É preciso destacar que sou feliz trabalhando onde trabalho. Quero me lembrar disso daqui a uns anos também...

E é isso. Feitas as atualizações, continuemos a navega daqui...








domingo, 23 de junho de 2019

ÂNCORA

Pensei que esse dia nunca chegaria, mas acho que desaprendi a escrever. Não estou nem falando do ato de escrever em si, já que esse a câimbra do escrivão me roubou faz tempo. Eu acho que não consigo mais colocar meus sentimentos num papel (ou numa tela, como queira). Havia algo de mágico em refletir sobre minha vida através de textos, uma possibilidade de mudar ou fazer diferente. Estou com (quase) 37 anos e acho que a magia acabou.

Hoje, em particular, sinto-me esvaziada. Fisicamente, já que dei plantão noturno ontem e não consigo mais dormir bem no hospital; mentalmente, pelo excesso de responsabilidades e demandas que me são solicitadas todos os dias; vazia na alma, como se tudo o que fosse meu (só meu) tivesse murchado pela falta de cuidado ao longo do tempo. Sinto que, por ter entregue tudo o que possuía, não tenho mais onde repousar a cabeça. A maternidade (sempre ela) toma todos os meus espaços: eu sou mãe em tempo integral, principalmente de Fernanda. Ela precisa aprender, mas o déficit de atenção impede que ela acompanhe os conteúdos na escola; precisa dormir, mas a hiperatividade não deixa; precisa se desenvolver sozinha, mas o medo do abandono faz com que ela fique grudada em mim. E me sufocando, a cada dia mais. Ainda que exista amor.

Estando internamente vazia, como eu conseguiria viver o amor? Falo dele em todas as suas formas. Já entreguei tudo o que podia, de modo que não consigo aumentar a temperatura do meu coração: ele vive morno. Um casamento morno, ainda que exista amor. Ele está lá, escondido, só que, por mais que me esforce, não consigo alcançá-lo com as mãos. Tenho mil demandas me puxando para o lado prático da vida. Tenho que pensar no jantar, tenho que tirar Fernanda do banho interminável dela. O celular vai preenchendo as minhas ausências, mantendo tudo morno. E eu não tenho aquela centelha acesa que poderia mudar o rumo das coisas...

Eu, que ansiei tantos anos por mares de calmaria, sinto-me presa à âncora de um destino, onde um dia quis chegar...


domingo, 16 de julho de 2017

VELEIROTERAPIA

Olá, Veleiro ⛵️! Que bom vê-lo de novo. Precisei passar aqui para registrar algumas novidades...

Em primeiro lugar, o improvável aconteceu: o Capitão 👨‍✈️ voltou pra casa. O velho e bom Capitão de 20 anos atrás. Não voltou porque me ama e não consegue viver sem mim: voltou porque percebeu que não valia a pena navegar por mares tão confusos e agitados, quando uma rota mais tranquila ainda se mostrava acessível. Minha vida com o Capitão em casa é cheia de altos e baixos, mas muito melhor que a minha vida sem ele... Ultimamente isto está bastando...

Eu, como mãe de duas crianças saudáveis, barulhentas e inquietas, sou uma boa médica... 🙄 Nunca fui um exemplo de paciência, mas confesso que venho me superando. Impressionante como o tempo passa e a pessoa semconvence cada vez mais que precisa aprender. Hoje eu quero me organizar para não ser tão relapsa com minhas obrigações maternas, não deixar as meninas dormires sujas e sem escovarem os dentes... Tudo parece tão difícil quando se está muito cansada... E eu tenho graves problemas com cansaço, sou uma pessoa que vive de sono 😴... O sono anda de mãos dadas com a impaciência, então está armada a equação da mãe meia-boca... 😞

Eu preciso me organizar não apenas para ser uma boa mãe, mas também para ser uma pessoa melhor comigo mesma. Comer melhor e eliminar os 10kg a mais que os últimos 10 anos me trouxeram... Melhorar minha cabeça, crescer e me desvencilhar dos estigmas e cobranças que minha mãe coloca nas minhas costas. Não é fácil vencer uma opiniao sobre mim que vem sendo construída há 35 anos, falada diariamente, e que hoje percebo ainda fazer sombra sobre meus projetos e a minha família. Mas é preciso admitir que as palavras exercem a influência que nos permitimos que elas exerçam: alguém só pode me magoar se eu permitir isso. A pergunta é: por que ainda permito? 🤔

Para isso voltei à terapia. E ao Veleiro, porque escrever sempre me ajudou a enxergar com mais clareza. Por isso estou aqui. Continuemos, pois, a nossa viagem...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

MAIS UM RÉVEILLON...

Meu Deus, ultimas horas de 2015! Faltam menos de 120 minutos para o Novo Ano! Hora dos inevitáveis projetos de ano novo: o que de fato eu quero para 2016? Quais serão minhas metas nesse novo ano?
Parece que ficarei nas mesmas esperanças de sempre: emagrecer, comer melhor, acordar na hora certa pra não começar o dia nas carreiras... Pelo menos organizei minha vida financeira, já é meio caminho andado!
Enfim, que venha 2016!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

O POST DO RENASCIMENTO

Jesussss! Cadê os posts de 2015??? Pelo visto esse ano foi mais complicado que o último!

Na verdade, não foi bem assim. Foi um ano de "renascimento", se é que posso chamar dessa forma. Em abril assinamos o divórcio, e hoje - 8 meses depois - posso enfim dizer que virei essa página. Engana-se quem pensa que surgiu uma pessoa nova na minha vida: a pessoa nova sou eu mesma. Uma hora a gente chega à conclusão de que, por mais que faça falta a presença de alguém para enfrentar o dia-a-dia, esse alguém não é imprescindível. Há outras coisas mais importantes. E são essas coisas que estão garantindo a calmaria verdadeira que esse Veleiro precisava.

Maria Fernanda também não ficou mais "fácil" de criar. Pelo contrário: cada fase traz uma preocupação diferente. Agora são as "artes" de menino pequeno. E meu Deus, como faz arte essa menina! Coloca Lulu no bolso! Mas, como era de se esperar, nos apaixonamos por ela. Como sempre, não morro de amores por filho assim que ele aparece; levo um tempo, preciso me adaptar, preciso conhecer. Aquela máxima que diz "Só é possível amar aquilo que se conhece", aplica-se inteiramente a mim no que diz respeito à maternidade... Tenho a impressão de que a pior fase já passou, porque o amor torna as coisas menos pesadas. Agora é seguir em frente.

Na vida profissional, 2015 foi o ano em que a medicina voltou a ter na minha vida o lugar que havia perdido há uns 10 anos, eu acho... Esse Veleiro lembra perfeitamente quando o encanto pelo sonho de ser médica desapareceu. Eu nem sei dizer de maneira exata o motivo, talvez aquele monte de assunto que nunca conseguiu entrar na minha cabeça, os inúmeros concursos para os quais estudei e não passei, as dificuldades financeiras... Sim, não é fácil fazer a faculdade e contar os trocados, andar de ônibus, tirar xerox reduzida pra economizar! A poesia desaparece rapidinho! Depois veio o internato junto com o casamento, e este último nunca foi um mar de rosas, desde o primeiro final de semana... Algo que já estava fadado ao fracasso, só não sei como nunca vi isso antes, mas deixemos pra lá... Daí me formei e veio Lulu, e também não é novidade que não sou a típica mãe feliz das histórias... Foi muita decepção, Amilson que desistiu, a vida que virou de ponta cabeça... Masssss...passou.

Fiz terapia, isso ajudou muito. Uma terapia séria, com profissional de verdade. Não houve muitas mudanças de vida nesse ano, apenas passei a enxergar o que já existia de forma diferente. Importante ver que nem tudo é um fardo. Importante, acima de qualquer coisa, entregar a vida a Deus. Passei num concurso para médico de saúde da família pela Prefeitura do Recife, algo que nunca foi minha grande paixão, e percebi que lá eu podia fazer a diferença como médica, tendo a flexibilidade necessária para cuidar das minhas filhas como desejo. E nessa semana fui convocada para participar de 3 dias de aula no ambulatório de Gastroenterologia de um hospital universitário, outra coisa que não iria, mas de última hora resolvi fazer. E foi uma experiência magnífica!

Nesses 3 dias no hospital, lembrei que sempre gostei de estudar. Compreendi que minha cabeça não tinha a maturidade necessária para suportar as dores e delícias de ser estudante de medicina, entre outros motivos porque meu foco sempre esteve em outra pessoa (no caso, o antigo Capitão). Assistindo outra vez as reuniões clínicas - coisa que eu odiava - e observando que elas não me deixam mais estressada como antes (embora eu continue a ter dificuldade de acompanhar o raciocínio...), cheguei à consoladora conclusão de que estou no lugar certo. Não fiz a escolha errada: sou médica, e médica da família, por amor. Acho super interessante o hospital, mas quero estar lá no posto de saúde da comunidade pra tratar a hepatite B do povo e evitar que ela vire um câncer 15 anos depois. Não preciso trocar de curso, trocar de sonho: o meu já me basta. E finalmente me convenci disso.

E vejam só, quem sabe esse Veleiro volte também. Quero ler essas memórias daqui a alguns anos. Não posso deixá-lo naufragar por ter navegado em águas nervosas por algum tempo. Vamos lá, içar âncoras! Vamos ao mar novamente!E

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

SOBRE AS ESPERANÇAS DE FIM DE ANO

Ah, esse adorável clima de final de ano!... Aquela sensação irracional que tudo vai mudar na madrugada de 31/12 para 1/1!... O que seria da vida se não fossem esses deslizes irracionais?...

2014 foi um ano muito pouco promissor pra mim. Muitas decepções, nem quero lembrar quantas... E teve Maria Fernanda, que se constitui um desafio a cada dia. Sendo assim não estava animada para festas. Acabei trabalhando na noite de 24/12, mas enfim o espírito do Réveillon passou por aqui. Empolguei a família para passar o final do ano no interior, na cidade da minha mãe, com tios e primos que não vejo há uns 4 anos. Vamos viajar, afinal: 2015 precisa ser um ano diferente.

Estou aqui, terminando dezembro com os mesmos dilemas de anos atrás, minha absoluta falta de paciência com a maternidade e sua rotina, minha decisão de não querer mais bebês sob hipótese alguma... Depois de 3 anos e meio de separação, estou aguardando a data da audiência do divórcio, seguramente um dos momentos mais difíceis da minha vida. Aliás, foi por isso que resisto tanto a voltar ao Veleiro. Esse blog não nasceu na maternidade, nasceu anos antes, acompanhou cada momento da preparação do meu casamento, enfim, sou uma mulher à moda antiga, daquelas que queriam ficar com o mesmo marido até que a morte os separasse... Mas vejam só, o antigo Capitão achou uma namorada que é meu extremo oposto, e parece que finalmente descobriu o que quer na vida. A poesia acabou.

Uma mulher independente, madura, segura de si aproveitaria a oportunidade para refazer a vida. Mas esta que vos tecla é independente por força da necessidade: bate aqui dentro um coração de Amélia, que queria um marido para quem preparar a janta quando chegasse do trabalho (minha psicóloga tem vontade de se matar quando eu falo isso, mas é verdade...). Claro, ele ainda pode aparecer. Minha última tentativa foi no mínimo decepcionante, a queda foi vertiginosa, de modo que adquiri um olhar descrente sobre este aspecto... Certo, esse é um deslize irracional que não vale a pena cultivar. Veremos se 2015 muda isso.

Que venha um novo ano com muito mais oportunidades...


terça-feira, 4 de novembro de 2014

PAUSA PARA ESCLARECIMENTOS

Primeiramente: esqueçamos o Capitão. Nossa, como nos enganamos com as pessoas! Enfim, sem detalhes. Vida que segue...
 
 

domingo, 21 de setembro de 2014

NOTÍCIAS DO VELEIRO

Amigos deste Veleiro, eu e o novo Capitão vamos muito bem, obrigada. Na verdade já nos conhecíamos há mais ou menos uma década, ele também foi casado e tem uma filha de 2 anos. É como aquilo que falei em outro post: vai entender os desígnios de Deus! Depois de dificuldades e frustrações em ambos os lados, a vida pôs nossos caminhos frente a frente, e o resultado está sendo muito bom. Esta que vos tecla está tão feliz que até a pele ficou mais bonita!... ;)

Maria Fernanda completa 6 meses depois de amanhã. Uma graça, esperta, sorridente, daquelas crianças que todo mundo consegue amar. Dá muuuito trabalho, como todo bebê. Na maioria das vezes, não é fácil. Na verdade, o fato de não ser fácil não tem nada a ver com a adoção: não seria fácil se ela fosse minha filha de sangue também. Tem momentos que eu penso assim: uma mãe (sem pai), um filho. Ter duas filhas extrapolou a conta e dificultou a administração. Agora mesmo estou num plantão extra, em pleno domingo, preocupada em ter que deixá-las na casa dos outros, já que a babá não vai nos finais de semana. Só que agora é tarde, já foi, e - cá entre nós - tenho que admitir que Fernandinha só trouxe coisas boas pra minha vida desde que chegou. Em todos os sentidos. ;)

Ana Luiza está na fase de enfrentar toda e qualquer autoridade. Confesso que pensei que esse momento só chegaria na adolescência, mas está tudo muito precoce hoje em dia... Recusa-se a obedecer, discute. Caso eu não estivesse tão zen e suspirando pelos cantos, já teria enlouquecido. A dica é manter-se firme e repetir o mantra: "Vai passar, vai passar...". Todas essas benditas fases passam...

Meu plantão é só até as 13h, pela misericórdia. Trabalhar dia de domingo não é de Deus...

:*


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

"Oh, Capitain! My Capitain!..."

Querido Veleiro,

                     as nossas atualizações estiveram cada vez mais raras. Já havia desistido de culpar o tempo (ou a falta dele): o fato é que escrever tinha perdido parte de sua graça. Coração apertado, preso em suas frustrações, não queria continuar desbravando nem mais um pedaço desse imenso mar chamado Vida. Bom, as coisas mudaram, enfim...

                    Durante muito tempo este Veleiro teve um Capitão, que, por motivos vários, abandonou o navio. E como foi ruim navegar sem um Capitão... Este Veleiro enfrentou diversas tempestades e longos períodos de calmaria. Muitas vezes, velejar se tornou tarefa praticamente impossível. Entretanto, havia um destino reservado para ele, uma nova rota, que só iria ser descoberta alguns anos mais tarde. E é nos rumos dessa nova rota que tenho o prazer de informar aos passageiros: este Veleiro tem um novo Capitão.

                     Um pouco difícil saber aonde essa nova rota irá levar nosso Veleiro. Mas há muito tempo não se sentia o doce movimento das velas, e já é possível vislumbrar um pedaço do grande horizonte que se forma à frente. Novos tempos. Que eles nos guiem para novos e interessantes lugares, porque, meus amigos, este Veleiro merece... ;)

(P.S.: Uma pausa nos relatos da maternidade, porque nem só de filhas vive esta mãe...)

segunda-feira, 2 de junho de 2014

E MARIA FERNANDA CHEGOU!

Olá, Veleiro! Quanto tempo, hein? Você não imagina o quanto as coisas mudaram por aqui... A vida está mais louca do que era antes...

Em março, no dia 23, Maria Fernanda chegou para colocar a minha vida e a de Ana Luiza de cabeça para baixo. Numa casa que já estava devidamente adaptada a uma criança de 4 anos, desembarcou uma recém-nascida, com suas cólicas, noites em claro, necessidade de braço, cocô mole demais, cocô duro demais, enfim, tudo aquilo que vem no pacote... Lulu se apaixonou de imediato (cada vez viro mais fã dessa minha filha...) e eu só não enlouqueci porque fiquei à base de Passiflora 3 vezes ao dia...

Fernanda teve tudo o que uma bebê pode ter pra dar trabalho à mãe: terríveis cólicas à noite, que a faziam chorar por 2 horas seguidas e passar a madrugada se acordando; um refluxo monstro, ou seja, vomitava o leite todo logo após comer; prisão de ventre, passando 5, 6 dias sem fazer cocô... Não adianta dizer aqui que o meu altruísmo e vontade de amar aquele serzinho frágil adotado pelo meu coração transformava todas as dificuldades em alegria: vocês me conhecem. Em várias ocasiões a pergunta que martelava na minha cabeça era: por que raios eu fui inventar de trazer essa menina pra casa? Estava tudo tão bem organizadinho, só eu e Lulu... Que invenção, meu Deus!...

Cheguei justamente no ponto: Deus. Eu não estava procurando criança nenhuma: a mãe dela, grávida, sem condições de criar mais uma filha, apareceu no meu caminho com a intenção de entregar o bebê para adoção. Eu queria dar uma irmã para Ana Luiza, e no dia da USG soubemos que o bebê era uma menina. Maria Fernanda foi guiada por Deus, desde o ventre, para que entrasse na nossa vida e só Ele sabe o motivo disso. Alguém pode não acreditar, mas eu acredito: não fui eu que escolhi adotar uma menina, Deus já tinha escolhido isso pra mim.

Ela agora está com 2 meses. Rendi-me a uma babá, que me ajuda nos dias em que não estou trabalhando, para que eu possa estudar em casa e retomar meus antigos projetos. As cólicas e o refluxo diminuíram sensivelmente e o cocô normalizou. Dorme das 23h às 5h, sem acordar. Ainda estou meio atrapalhada com essa história de criar duas, não tenho muita vocação para dedicação exclusiva à maternidade, você sabem disso. Mas foi Deus quem começou tudo isso, Ele está me ensinando o caminho certo a ser trilhado. Um dia de cada vez...

Esperança de ter tempo e sanidade mental pra te atualizar mais, Veleiro! Novas águas apontando em nosso horizonte! Içar velas e levantar âncora! Até a próxima!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

COISAS QUE VEM NO PACOTE DE SER MÃE...

Levei Ana Luiza a uma festa de aniversário ontem. Fomos sozinhas, eu e ela, de modo que nem consegui me sentar na mesa pra comer os docinhos (o que, no final das contas, foi lucro): fiquei acompanhando aquela cabrita se divertir nos brinquedos da casa de festas. Eu e as babás...

Muito complicado falar de babás. No mundo moderno elas são quase que indispensáveis, se você - mãe e mulher - quiser/precisar trabalhar fora de casa. Entendo e até me vejo à procura de uma, caso a minha empreitada de adoção dê certo. O que eu não entendo é: por que babá numa festa de aniversário? Por que não acompanhar a criança nas brincadeiras durante o evento? Será que não estamos delegando em demasia o cuidado com nossos filhos a terceiros ?

A maioria dos convidados era composta de médicas, com jornada de trabalho semanal pesada. A explicação para levar a babá até a festa era "não conseguirei nem conversar com vocês se a babá não ficar brincando com meu filho". Para muitas o domingo é o único dia de folga, o momento de respirar um pouco, se distrair. E criança em festa é um troço cansativo, convenhamos. Então o casal - pai e mãe - pode ficar tranquilo na mesa enquanto a criança corre, pula e brinca com a babá...

O problema, para mim, é que acompanhar a criança numa festa no seu dia de folga faz parte do pacote "ser pai/mãe". Quer dizer que no único dia em que eu posso espairecer com meus amigos vou ficar correndo atrás de menino nos brinquedos? Exatamente!!! Você é pai/mãe, ora bolas!! Depois que eles forem um pouco maiores - na idade de Lulu, por exemplo - a dependência diminui e você terá direito de se sentar e comer, se quiser. Mas agora não! 

Não tenho a intenção de criar polêmica. Talvez seja porque passo menos tempo com Ana Luiza do que eu gostaria, por causa do meu trabalho, então não me vejo desperdiçando nenhum momento de estar ao lado dela. Talvez também porque estar abraçada com ela enquanto assistimos à apresentação da peça "Os Três Porquinhos" (encenada na festa) consegue me distrair e esfriar minha cabeça muito mais que conversar com outros adultos numa mesa. Mas esse é só um assunto para pensarmos. Cada um sabe a maneira como cria seus filhos, e nesse território não há certo ou errado. De qualquer modo, segue o trecho de uma música - muito divertida, por sinal - que escutei ontem durante o aniversário. Pensei que tinha escutado errado, mas não: a letra não falava da mãe, apenas da babá. Fica a dica...

"Chato é de madrugada
Quando tenho que acordar
Pra fazer o meu xixi
Sinto vontade de chorar

É quentinho, é quentinho,
é quentinho, é bem quentinho

Todo mundo faz, todo mundo faz
a babá já fez e o vovô ainda faz. 

Não faça drama, porque eu fiz xixi na cama..."
(Funk do Xixi - Ivete Sangalo)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

FAMÍLIA QUERENDO AUMENTAR...

Venho pensando seriamente em adotar uma criança. Desde a adolescência tive esse desejo, mas agora virou projeto. Está aparecendo uma grande oportunidade de dar a Ana Luiza uma irmãzinha (sim, é menina) para nos acompanhar em nossas aventuras. E no que depender de mim a família aumentará em breve!

Passei pelo Veleiro só para gerar o suspense da notícia, não terei tempo de dar mais detalhes agora. Mas que todos fiquem na torcida! ;)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

SUPER NANNY 1, MARCELLA 0...

Sou da geração que levou poucas e boas palmadas. Lembro de mamãe correndo pela casa atrás de mim e da minha irmã, segurando o velho chinelo de couro (aqui no Nordeste é assim), das marcas nas pernas depois que ela conseguia nos alcançar, e daquela dorzinha ardida... Enfim, apanhei um bocado e estou aqui viva pra contar a história, sem nenhum grande trauma em relação a isso. Mas aí veio a modernidade e colocou tudo a perder...

Hoje em dia não se pode bater nos filhos, sob pena de ser punido por lei. A psicologia moderna, disfarçada de Super Nanny, sugere mil e um caminhos para contornar aquelas situações em que a criança se transforma num pequeno monstrinho. Concordo. Sinto-me incapaz de levantar um dedinho que seja pra cima daquela cabrita malcriada, nem nas piores birras. Não consigo machucar fisicamente aquela que mais amo no mundo. Não tenho, porém, um pingo de paciência para "me abaixar à altura da criança" e tentar "argumentar" com ela.  Na maioria das vezes deixo-a esperneando na sala e vou pra outro local da casa, até que o cansaço a vença e ela pare de chorar. Mas ontem pensei: "Marcella, você é uma mãe ou um rato? Ponha ordem nessa casa e mostre a Ana Luiza quem é que manda aqui!". Então, pela primeira vez, Lulu foi pro castigo.

Foram 5 minutos de paz e consciência tranquila. Ao meio-dia e meia coloquei-a dentro do quarto e disse: "Você vai ficar aí sozinha porque fez malcriação!", assim, como se eu fosse a mãe mais coerente do mundo. Ouviram-se choro e ranger de dentes, mas eu me mantive firme. Às 12h35 abri a porta e perguntei: "Quer sair do castigo? Então pare de chorar e peça desculpa a mamãe!". Isto feito, ela foi pra sala, quieta, calada, sem nenhuma raiva de mim, e a paz voltou a reinar no apartamento.

Concluindo: não parece, mas cinco minutos de castigo resolvem muita coisa. Adote essa ideia você também. E ponto pra Super Nanny.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

METAS...

Pegando carona no último post de 2013, e tentando fazer por merecer um ano realmente novo...

Que meu 2014 seja um ano:


  • Sem refrigerantes. Ou quase...
  • Sem faltas aos treinos da academia...
  • Sem desculpas esfarrapadas que justifiquem aquele cheeseburguer pós-plantão...
  • Com disposição para estudar 2 horas todos os dias...
  • Em que eu finalmente avance no curso de inglês...
  • Com atualizações periódicas no Veleiro!!!
Feliz Primeiro-Ano-Do-Resto-De-Nossas-Vidas!!!

(diretamente do plantão...)