quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

DUAS MULHERES ANSIOSAS: UMA DENTRO DA BARRIGA, OUTRA FORA DELA!



Disseram que os bebês ficam mais calminhos perto do nascimento. Que mexem menos. Que as mães ficam até preocupadas...

Vamos, Ana Luiza, diga a esse povo que você está fazendo justamente o contrário! E que sua mãe só está preocupada com as roupas que não cabem mais e com a possibilidade de ela ir trabalhar PELADA!

Ai, ai... Faltam 6 semanas...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

FELIZ ANO NOVO!



2010 chegou. O ano do nascimento de Ana Luiza, que agora já está com 30 semanas. O ano em que eu preciso voltar a estudar, mas sei que vai ser muito difícil. O ano em que eu vou ser mãe.

O primeiro ano do resto da minha vida...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

GRÁVIDA DE UMA DANÇARINA




Ana Luiza mexe, mexe, mexe. Mexe tanto que chega a doer. Chuta, se estica, penso que às vezes até frevo ela dança na minha barriga. Sinto muito, minha filha, mas você só fica a termo na quarta-feira de cinzas. Se inventar de nascer no Carnaval, vai ser prematura.

Minha lombalgia melhorou consideravelmente depois que passei uma pomada abençoada na missa de Nossa Senhora das Graças. Nesse caso a força que curou foi a benção, não a pomada (uma imitação barata de Vick Vaporub). Nossa Senhora é mãe, duvido que andando por aquelas estradas esburacadas de Nazaré ela não tenha sentido dor nas costas. Uma mãe entende a outra. Depois dessa gravidez estou até entendendo a minha!

A barriga pesa muuuito no 3º trimestre. Ana Luiza está com 1,159 kg. Tem a placenta, os anexos, o líquido... Subir a ladeira da Charneca agora é tarefa impossível, estou pegando um táxi do Centro do Cabo até lá, e pagando mais 10 contos por dia... Qualquer copinho d'água me dá uma vontade enorme de fazer xixi (a bexiga espremida pelo útero...). Fora isso, tem o calor (nem comento...). E ainda faltam no mínimo 8 semanas! Tá bom, já faltaram mais...

Quando virar o ano prometo que compro o enxoval dela. É, ainda não comprei nada. Não tenho paciência, todo mundo sabe disso. Mas vou comprar, sempre acabo dando um jeito. Não preparei minha cerimônia de casamento em 1 mês?

Eu sei que tudo, no final, dá certo.

Feliz Natal.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A MARIA-DAS-DORES


27ª semana de gestação. Uma dor nas costas que irradia para a perna direita I-N-S-U-P-O-R-T-Á-V-E-L. Hoje fui parar na emergência em busca de atestado para passar o dia de repouso em casa. O médico nem olhou para minha cara. Era o esperado: médicos fazem residência de ortopedia para não ter que conversar com pacientes. O negócio deles é raio X e osso. Doeu? Faz raio X e passa antinflamatório. Continuou doendo? Opera. Meu problema é que grávidas não podem fazer raio X nem tomar antinflamatórios. O médico ficou com uma cara de "E eu faço o quê agora?". Tudo bem, doutor, eu só vim pelo atestado (não posso dar atestado para mim mesma...). Menos de 5 minutos de consulta e eu vim embora para casa.

Talvez seja uma boa fazer hidroginástica...

domingo, 8 de novembro de 2009

SOBRE A BURRINHA DA FELICIDADE




22 semanas já se passaram desde que Ana Luiza surgiu no Universo. Faltam 15 para ela estar pronta. Passo o dia e a noite sentindo chutes e cambalhotas de alguém que já está achando o lugar em que vive muito apertado... Ainda bem que ela nem vai chegar a saber o que é viver num apartamento do Chico...

Na próxima quarta-feira recebo as chaves do meu novo lar, um apartamento de 3 quartos na Sudene, no térreo, reformado, 2 banheiros, 1 suíte, área de serviço, sala de jantar... Meu pesadelo acabou. Não é próprio, mas já é um passo adiante. Só em não ter que fazer parte dessa "comunidade" na qual passei meus últimos dois anos, só isso já faz a diferença. Além do mais é muito perto da minha mãe. E na hora em que um bebê anuncia sua chegada, uma marinheira de primeira viagem como eu precisa desesperadamente da ajuda da mãe.

Segurar bebês assim que nascem e dar os primeiros cuidados é muito fácil. Não parece, mas eles são fortes e durinhos. Não precisa de muito caqueado para segurar um bebê logo após o parto: basta pegar no pescoço e nas pernas e levar ao bercinho aquecido. Eles já estão tão incomodados que nem ligam se você os apertar. Mas depois das primeiras horas a coisa muda. Ficam molinhos e frágeis. Nesse momento não adiantam nada minhas horas de sala de parto: não sei segurar um bebê a partir daí. Não sei o que fazer com eles. Não sei segurar para dar de mamar. Aliás, dar de mamar deve ser muito estranho. Eu achava que bebês mexendo dentro da barriga seria estranho, e hoje posso confirmar que é, sim, senhora. É interessante saber que existe um serzinho com movimentos próprios dentro de você, mas não deixa de ser estranho. Ana Luiza passa o dia fazendo ginástica. Quando puder andar eu que me prepare... Às vezes peço para ela ficar quietinha, só pra variar, porque a barriga fica tão esticada que parece que vai estourar, e isso incomoda. Mas, se ela escuta, provavelmente deve dar um risinho e ignorar os apelos da mãe. Sinal de saúde, eu sei, e isso ela tem de sobra. Eu é que tenho que me acostumar em suportar meus incômodos pelo bem dela. Não é o papel da mãe?

Por mais que eu saiba que ela existe e que possa vê-la nas USG, Ana Luiza ainda é uma idéia. Depois do parto essa idéia vai tomar forma, chorar, fazer cocô, dormir. É outra pessoa que surgiu de dentro de mim. Eu sou capaz de gerar outra pessoa! Isso não é incrível? Claro, eu sei, vi na escola, na faculdade, mas ainda não tinha visto em mim mesma. Tem tanta coisa que eu acho que não sou capaz de fazer: cozinhar bem, dirigir bem, piscar um olho só... Aí de repente eu gero uma criatura, um serzinho perfeito, com dois olhinhos, dois bracinhos, duas perninhas, hemisférios cerebrais no seu lugar, que já, já nasce e vai se mexer sozinha, chorar quando quiser, olhar para onde quiser, independente da minha vontade. Cuidei do meu cachorro, ele me ama, eu o amo também, mas ele não veio de mim. Ana Luiza vai vir. Isso é mesmo incrível...

Recebi meu primeiro salário e isso me possibilita pensar mais nessa história de ser mãe e cuidar de alguém. Enquanto minha mãe me sustentava não estava conseguindo me ver como provedora de outra pessoa (se eu nem conseguia me manter sozinha...). Agora posso imaginar o quarto dela no apartamento que tem espaço de sobra, fazer planos, executá-los. Trabalhar na Charneca não é tarefa fácil, isso eu digo e repito quantas vezes for necessário. Mas pagar contas, sair do SPC, dar adeus ao Chico, isso compensa qualquer sacrifício.

"A Natureza das Coisas" nunca foi tão minha música quanto é agora...

"Se avexe não
Amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada
Se avexe não
A lagarta rasteja até o dia em que cria asa..."

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

DÚVIDAS...


Como será viver na França?

Como será andar por ruas sem lixo, parques com brinquedos inteiros, esquinas sem trombadinhas?

Como será ter a Torre Eiffel ao alcance de um metrô?

Aliás...

Como será viver fora do Chico City? Acordar e não ouvir o barulho dos ônibus desde às 5 da manhã? Não ter que aturar os latidos irritantes da cadela da vendedora de Guaraná do Amazonas? Ter água na torneira mesmo quando a pressão da Compesa vem fraca e não precisar comprar um garrafão de água mineral para lavar os pratos?

Como será, hein?...

sábado, 17 de outubro de 2009

PADECENDO NO PARAÍSO...


Muuuito tempo sem passar aqui porque - enfim - o Cabo assinou meu contrato. Faz um mês que estou trabalhando e vou receber parte do meu 1º salário na próxima terça-feira. O SPC e o SERASA agradecem...

Meu posto de saúde é longe pra caramba. Sobe uma ladeira sem fim. Tenho que pegar 2 ônibus e uma Kombi para chegar até lá. Dia de visita domiciliar eu subo e desço aquelas escadarias de morro debaixo de sol quente. Lá falta remédio para verme e sobra remédio para micoses. E o povo não está interessado em prevenir doenças: está interessado em fazer exames sem necessidade e pedir atestado para não trabalhar. Essa é a saúde pública de Pernambuco.

Na grande maioria dos dias eu acho que não estou fazendo muita coisa. A gente se forma em medicina e quer mudar o mundo. Chega num posto e quer tratar hpertensão, prevenir as consequências do diabetes, medicar os lombriguentos. Mas o povo não toma remédio porque acha que Jesus vai curar a pressão alta; tem colesterol pipocando no sangue, mas não quer fazer dieta; tem varizes, mas não quer se operar. Quer remédio pra dor na coluna, mas não quer fazer tratamento com ortopedista porque é muito longe. Tem sempre dinheiro para tomar cerveja no final de semana, mas se é pra dar R$ 1,50 num comprimido pra verme acha ruim, só toma se der no posto. O médico fica dando murro em ponta de faca. O resultado é que a maioria desiste: não quer se tratar? Problema seu. Quer diclofenaco? Tome, depois que tiver uma úlcera vá pra emergência. Quer fazer "check-up" em menino de 1 ano e 6 meses? Faça, não importa se com isso você vai onerar os gastos do SUS. E o PSF não funciona...

Mesmo com todas essas questões é o Cabo e seu posto de saúde que vão pagar minhas contas até o final do ano que vem. Mas já deu para chegar à seguinte conclusão (na verdade confirmar o que eu já sabia): não gosto de lidar com adultos, muito menos idosos. Cada um com sua vocação. Criança é chata, chora só em olhar pra sua cara quando entra no consultório, tem manha, é o fuim; mesmo assim, eu prefiro as crianças. Mesmo com suas mães neuróticas que se apavoram com 2 dias de febre. Aprendam uma coisa: menino tem febre. Menino tem 8 infecções de vias aéreas superiores por ano: cada infecção dessa causa febre. Não precisa achar que a criança está morrendo porque sua temperatura subiu, ela vomitou e não quer comer. Você tem vontade de comer quando está doente? Porque o menino tem que ter? Virose dura 5 dias, não precisa tomar antibiótico, e a criança vai ficar molinha, depois passa. Olhe, mãe de menino com febre e garganta inflamada estressa mais o pediatra que o próprio menino!...

Mas adulto com suas dores que começam aqui e correm pra outro canto, ah!, me tiram do sério. Já entram no consultório com aquela cara de sofrimento pra ver se me comovem. Eu pergunto qual é o problema, eles sempre respondem: "Ah, doutora, é tanto pobrema, se eu for contar a senhora nem acredita...". Minha pressão sobe. Vou sair daquele posto hipertensa. Tem a dor nos ossos, nas pernas, já não consegue mais subir ladeira. Tem a dor que dá no coração toda vez que pega peso, e essa dor já faz uns 10 anos. Tem a dormência nos dedos dos pés. Tem o empachamento, tudo o que come ofende, deve ser o figo... E toma remédio pros nelvos, 3, 4 deles, senão não consegue dormir. É tanta queixa que eu me perco.

Tá bom, o povo é mal assistido pela saúde pública, mas também tem mania de doença. Mania de tomar remédio. Eu pergunto sobre a alimentação e todos respondem que comem pouquinho, sem sal, comida grelhada... Mentira! Rola uma charque sem fim naquela Charneca! Rola um chambaril cheio de gordura. Querem me convencer que comem melhor que eu e estão com o colesterol nas alturas! Não, querem é remédio. É chique dizer que toma muito remédio, que vive doente. Aguento isso por muito tempo não!

Tudo isso me veio à mente porque saiu o edital da Residência do HC, mas eu não vou fazer. Como disse, o Cabo e seus problemas vão pagar minhas contas. E no ano que vem, depois que Ana Luiza nascer, eu quero comprar meu carro. Não dá pra fazer isso com a bolsa da Residência. Ainda tem a novidade que vai consumir meu tempo a partir de março. Casar já foi difícil, cuidar de bebê eu nem imagino como vai ser. Teria que atrasar uns meses da Residência e depois correr para compensar. Por tudo isso é melhor deixar para 2011.

Mas confesso, o edital saindo, as provas se aproximando, aquela oportunidade de lidar só com o tipo de paciente que eu gosto, com doenças reais (não com invenção da cabeça desse povo neurótico), ah!... Dá uma vontade de fazer diferente!....

Não! Foco! Pensa nas dívidas! Pensa na menina!

Foi só a primeira coisa que eu tive que abrir mão (temporariamente) depois que virei mãe...