segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

COISAS QUE VEM NO PACOTE DE SER MÃE...

Levei Ana Luiza a uma festa de aniversário ontem. Fomos sozinhas, eu e ela, de modo que nem consegui me sentar na mesa pra comer os docinhos (o que, no final das contas, foi lucro): fiquei acompanhando aquela cabrita se divertir nos brinquedos da casa de festas. Eu e as babás...

Muito complicado falar de babás. No mundo moderno elas são quase que indispensáveis, se você - mãe e mulher - quiser/precisar trabalhar fora de casa. Entendo e até me vejo à procura de uma, caso a minha empreitada de adoção dê certo. O que eu não entendo é: por que babá numa festa de aniversário? Por que não acompanhar a criança nas brincadeiras durante o evento? Será que não estamos delegando em demasia o cuidado com nossos filhos a terceiros ?

A maioria dos convidados era composta de médicas, com jornada de trabalho semanal pesada. A explicação para levar a babá até a festa era "não conseguirei nem conversar com vocês se a babá não ficar brincando com meu filho". Para muitas o domingo é o único dia de folga, o momento de respirar um pouco, se distrair. E criança em festa é um troço cansativo, convenhamos. Então o casal - pai e mãe - pode ficar tranquilo na mesa enquanto a criança corre, pula e brinca com a babá...

O problema, para mim, é que acompanhar a criança numa festa no seu dia de folga faz parte do pacote "ser pai/mãe". Quer dizer que no único dia em que eu posso espairecer com meus amigos vou ficar correndo atrás de menino nos brinquedos? Exatamente!!! Você é pai/mãe, ora bolas!! Depois que eles forem um pouco maiores - na idade de Lulu, por exemplo - a dependência diminui e você terá direito de se sentar e comer, se quiser. Mas agora não! 

Não tenho a intenção de criar polêmica. Talvez seja porque passo menos tempo com Ana Luiza do que eu gostaria, por causa do meu trabalho, então não me vejo desperdiçando nenhum momento de estar ao lado dela. Talvez também porque estar abraçada com ela enquanto assistimos à apresentação da peça "Os Três Porquinhos" (encenada na festa) consegue me distrair e esfriar minha cabeça muito mais que conversar com outros adultos numa mesa. Mas esse é só um assunto para pensarmos. Cada um sabe a maneira como cria seus filhos, e nesse território não há certo ou errado. De qualquer modo, segue o trecho de uma música - muito divertida, por sinal - que escutei ontem durante o aniversário. Pensei que tinha escutado errado, mas não: a letra não falava da mãe, apenas da babá. Fica a dica...

"Chato é de madrugada
Quando tenho que acordar
Pra fazer o meu xixi
Sinto vontade de chorar

É quentinho, é quentinho,
é quentinho, é bem quentinho

Todo mundo faz, todo mundo faz
a babá já fez e o vovô ainda faz. 

Não faça drama, porque eu fiz xixi na cama..."
(Funk do Xixi - Ivete Sangalo)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

FAMÍLIA QUERENDO AUMENTAR...

Venho pensando seriamente em adotar uma criança. Desde a adolescência tive esse desejo, mas agora virou projeto. Está aparecendo uma grande oportunidade de dar a Ana Luiza uma irmãzinha (sim, é menina) para nos acompanhar em nossas aventuras. E no que depender de mim a família aumentará em breve!

Passei pelo Veleiro só para gerar o suspense da notícia, não terei tempo de dar mais detalhes agora. Mas que todos fiquem na torcida! ;)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

SUPER NANNY 1, MARCELLA 0...

Sou da geração que levou poucas e boas palmadas. Lembro de mamãe correndo pela casa atrás de mim e da minha irmã, segurando o velho chinelo de couro (aqui no Nordeste é assim), das marcas nas pernas depois que ela conseguia nos alcançar, e daquela dorzinha ardida... Enfim, apanhei um bocado e estou aqui viva pra contar a história, sem nenhum grande trauma em relação a isso. Mas aí veio a modernidade e colocou tudo a perder...

Hoje em dia não se pode bater nos filhos, sob pena de ser punido por lei. A psicologia moderna, disfarçada de Super Nanny, sugere mil e um caminhos para contornar aquelas situações em que a criança se transforma num pequeno monstrinho. Concordo. Sinto-me incapaz de levantar um dedinho que seja pra cima daquela cabrita malcriada, nem nas piores birras. Não consigo machucar fisicamente aquela que mais amo no mundo. Não tenho, porém, um pingo de paciência para "me abaixar à altura da criança" e tentar "argumentar" com ela.  Na maioria das vezes deixo-a esperneando na sala e vou pra outro local da casa, até que o cansaço a vença e ela pare de chorar. Mas ontem pensei: "Marcella, você é uma mãe ou um rato? Ponha ordem nessa casa e mostre a Ana Luiza quem é que manda aqui!". Então, pela primeira vez, Lulu foi pro castigo.

Foram 5 minutos de paz e consciência tranquila. Ao meio-dia e meia coloquei-a dentro do quarto e disse: "Você vai ficar aí sozinha porque fez malcriação!", assim, como se eu fosse a mãe mais coerente do mundo. Ouviram-se choro e ranger de dentes, mas eu me mantive firme. Às 12h35 abri a porta e perguntei: "Quer sair do castigo? Então pare de chorar e peça desculpa a mamãe!". Isto feito, ela foi pra sala, quieta, calada, sem nenhuma raiva de mim, e a paz voltou a reinar no apartamento.

Concluindo: não parece, mas cinco minutos de castigo resolvem muita coisa. Adote essa ideia você também. E ponto pra Super Nanny.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

METAS...

Pegando carona no último post de 2013, e tentando fazer por merecer um ano realmente novo...

Que meu 2014 seja um ano:


  • Sem refrigerantes. Ou quase...
  • Sem faltas aos treinos da academia...
  • Sem desculpas esfarrapadas que justifiquem aquele cheeseburguer pós-plantão...
  • Com disposição para estudar 2 horas todos os dias...
  • Em que eu finalmente avance no curso de inglês...
  • Com atualizações periódicas no Veleiro!!!
Feliz Primeiro-Ano-Do-Resto-De-Nossas-Vidas!!!

(diretamente do plantão...)


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

HAPPY NEW YEAR...

Nunca Drummond esteve tão certo. É preciso pensar nisso em todos os dias de 2014. Há de se fazer contenções absolutas de despesas e calorias, para que o ano passe sem deixar sequelas... Há de se ter objetivos, manter o foco, mirar naquilo que nos faz feliz. Evitar aborrecimentos desnecessários, raivas desnecessárias... A vida passa tão rápido... Nem tudo precisa ser levado tão a sério...

Um ano novo cor de arco-íris, com este Veleiro de novo em alto-mar, é o que desejo para todos nós!

RECEITA DE ANO NOVO
Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


terça-feira, 6 de agosto de 2013

QUANDO É PRECISO OPTAR PELO QUE MAIS IMPORTA...

Estive pensando que muita coisa na nossa vida é apenas uma questão de escolha. Vivemos mal, estressados, preocupados, muitas vezes porque não sabemos dar prioridade aos afazeres e nem temos coragem de assumir aquilo que realmente importa, deixando de lado as convenções. Tenho chegado à mesma conclusão: não fazemos as pausas necessárias para repensar o nosso dia a dia, e assim vamos perdendo a oportunidade de evoluir.

Faço parte da geração de mulheres que cresceram lutando pela sua independência financeira. O foco sempre foi concluir o ensino médio, entrar na faculdade, trabalhar. Sei que só levo essa vida tranquila, morando em apartamento próprio, pagando meu próprio carro, porque tenho minha profissão. Mas venho pensando - há muito tempo - que tudo isso exige de mim um tempo precioso, que poderia estar sendo aproveitado com atividades que me fizessem mais feliz. Difícil era admitir que a médica independente e bem resolvida, na verdade, queria ficar em casa e cuidar do almoço da filha...

Não é verdade que não gosto do que faço. A sensação de ter ajudado uma criança a superar algum problema de saúde é maravilhosa. Entretanto, em 6 anos de faculdade e 4 de exercício da profissão, não aprendi a fazer da Medicina a minha vida. Tenho necessidade de respirar ares que não sejam os do consultório ou hospital, de conversar sobre assuntos que não sejam doenças. Não tolero trabalhar 24 horas seguidas: preciso dormir em casa, na minha cama, com a minha Lulu. Acho a carga horária a que os médicos se submetem desumana. Enfim, devo ser a ovelha negra da família de Hipócrates...

Pela total incapacidade de trabalhar à noite mantendo o bom humor, os plantões noturnos das sextas-feiras vinham sendo a minha via-crucis semanal. Uma noite mal dormida e um dia seguinte me arrastando pelos cantos da casa. Mas trabalhar à noite tem suas compensações - traduzidas nos adicionais no salário e na produtividade - e eu tenho meus gastos, de modo que fui suportando durante os últimos 20 meses. Até chegar o momento em que a sanidade mental falou mais alto.

Comuniquei hoje à minha chefia que estou desistindo do plantão. Abri mão de um dinheiro que talvez faça falta daqui a alguns meses, em troca de ter um final de semana inteiro em casa, cuidando de mim e da minha princesa. Optei por arriscar. Há opiniões contrárias. Algumas pessoas ainda estão presas à convenção de que médico deve ter um patamar financeiro x, conseguido às custas de 60h semanais de trabalho, e acham estranho eu me contentar com um carro usado, um apartamento no subúrbio, de 57m2... Não estou aqui fazendo apologia à simplicidade. Gosto de gastar, ir a restaurantes várias vezes na semana, comprar sem olhar o preço. Mas gosto muito, muito mais de ter tempo livre. Ir à praia todo sábado, dormir em casa todo dia, levar Ana Luiza pra escola e depois passear com ela no shopping à tarde. Não consegui fazer da Medicina a minha vida. Minha vida é Ana Luiza.

E é isso.

domingo, 28 de julho de 2013

O BEBÊ REAL E A CESAREANA

Não estou grávida e por enquanto não há previsão para isso acontecer de novo, mas trabalho em maternidade e este assunto sempre vem à tona, principalmente depois do nascimento do filho da princesa: qual a melhor via de parto, normal ou cesárea? Na minha opinião, há mais questões relacionadas a essa escolha do que sonha a nossa vã filosofia...

Não há dúvidas: para o bebê é sempre melhor nascer pela via natural. Entrar em trabalho de parto estimula a maturação pulmonar, expulsa o líquido que está dentro dos pulmões, melhora a respiração do bebê após o nascimento... Mesmo os prematuros nascem mais preparados para enfrentar o mundo se a mãe parir por via vaginal. Além de tudo isso, parir avisa ao cérebro que já é hora de soltar o leite e é uma ajuda na hora de amamentar.

Aí se conclui: Marcella é pediatra, está escrevendo essas coisas, Ana Luiza então deve ter nascido de parto normal, certo? Errado. Não entrei em trabalho de parto, não senti dores, não tive um centímetro de dilatação. Mesmo que fosse meu sonho parir naturalmente, não teria conseguido. Ocorre que minha cesárea já estava marcada para a 38ª semana, e lá fui eu, linda e ruiva, dar à luz numa mesa de cirurgia. Oito horas depois estava andando pelos corredores da maternidade, indo ao banheiro sozinha e posando para fotos. Simples assim.

Então eu acho o seguinte (e lá vai a polêmica): a melhor via de parto é aquela para qual a mãe está preparada. Para aquela que sonhou os 9 meses com o momento de "fazer força de cocô" e colocar seu bebê no mundo, o melhor é parir normal. Conheço mães que quase enlouqueceram depois que passou a anestesia da cesárea, sentiam dores, não conseguiam andar, e a metade desses sintomas era mais frustração por não terem parido por via vaginal. Mas para aquelas que - como eu - não fazem nem a sobrancelha por medo da dor, recomendo que partam para a faca. É menos traumatizante. 

Na Pediatria há uma "ditadura" do parto normal. A médica que defende a cesárea é excomungada. É quase como amamentar: se você diz que não consegue (ou não quer), está condenada a ser taxada de péssima mãe. Bobagem. Não há regras na maternidade. Nasci de cesárea, não mamei e não há mãe mais cuidadosa que a minha (até hoje). Ana Luiza vai pelo mesmo caminho. O importante é receber seu filho com amor, seja por parto vaginal, seja pela cesárea. Essa escolha definitivamente não define que tipo de mãe você vai ser.

E tenho dito.