sábado, 29 de setembro de 2007

VIVE LA COCA-COLA! VIVE LA VIE!


Sábado de sol bonito: hoje é meu aniversário. Fora todo cansaço crônico que estou sentindo, fora o celular que se desliga sozinho, fora a absoluta falta de dinheiro, hoje é um dia importante. Hoje eu completo 25 anos ou 1/4 DE SÉCULO!!!

Não fui ao IMIP colocar no mundo crianças que fariam aniversário no mesmo dia que eu. Isso me soou poético há alguns dias atrás, mas hoje, cansada, vindo de uma semana cheia de altos e baixos, passar o sábado de sol bonito do meu aniversário trancada na sala de parto do IMIP pareceu um grande pesadelo, por mais que eu goste bastante daqueles bebês chorosos. Faltei, vou pagar em mais um feriado, esgotei minha cota de faltas (embora essa seja a primeira não justificada, as outras duas foram a do enterro de papai e a do meu casamento, mas a coordenadora do estágio - uma mulher infeliz na vida - não aceitou as justificativas), mas não queria de jeito nenhum passar o 29 de setembro ocupada. Vamos trabalhar no feriado, então.

Aniversário - principalmente uma idade cabalística feito essa, 1/4 de século - deve servir para repensar toda a vida, traçar metas, corrigir erros... Neste momento em que o sol está resolvendo ir embora (como assim???), penso na total falta de ânimo que estou sentindo (incomum, porque meu aniversário sempre foi o dia mais feliz do ano para mim!), no cansaço crônico que me impede de estudar (porque eu queria estudar, de verdade...) e dá vontade de tirar férias dessa rotina de dona-de-casa-estagiária-lisa. Falando nisso, apenas uma dica para as moças casadoiras de plantão: o segredo para um casamento feliz e duradouro é uma casa com banheiros separados. Basta isso. Porque dividir o banheiro com um homem é uma experiência de estresse diário, vocês não têm noção... Mas enfim, esse é tema para outro post.

Alguém tem uma coca-cola aí? Eu sei que são pouco mais de 9 da manhã, mas estou precisando para levantar meu astral...

Bom...

Liguem para mim vocês que têm consideração para com a minha pessoa. Eu ficarei feliz.

Tchau.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

SEM PACIÊNCIA...


Estou cansada do Otávio de Freitas... Preciso sair de lá o mais rápido possível , antes que enlouqueça...

Faltam 2 dias para o meu aniversário (isso é bom!).

Não queria ir ao plantão hoje porque O-D-E-I-O emergência de cirurgia geral.

Estou doente.

Pronto, atualizei o Veleiro.

FOTO: Eu, em Gravatá.

domingo, 16 de setembro de 2007

O FIM QUE IGUALA TODOS NÓS...


A evolução do domingo de manhã hoje no Otávio de Freitas foi marcada pela notícia da morte de um dos doutorandos, de madrugada, num acidente de carro. Só pra esclarecer, doutorando é justamente o que eu sou, ou seja, estudante dos 2 últimos anos de medicina. O rapaz em questão era uma turma na minha frente, e iria se formar em dezembro do ano que vem.

Nunca fui a melhor amiga dele, é verdade. Discordamos fortemente de determinados pontos em várias ocasiões. Mas o fato é que era um rapaz de 23 anos, quase médico, com um futuro brilhante pela frente, que esteve com a gente durante esses últimos 2 meses (inclusive na última sexta) e que de repente morreu, vítima da combinação perigosa de balada, bebida e velocidade. Aliás, pelo jeito dele, iria acabar assim mais cedo ou mais tarde... Lamento muito, demais, que ele tenha morrido tão jovem, antes de aprender tanta coisa, antes de virar uma pessoa séria e responsável. Porque no fundo ele era uma boa pessoa, só não tinha ainda desenvolvido maturidade suficiente. Coloquei seu nome nas intenções da missa de hoje. Só o que posso fazer diante do que aconteceu...

Estava olhando as fotos da última festa da minha turma (à qual eu não compareci) e pensando que realmente eu devo ser uma pessoa chata... Parece que todo mundo foi, menos eu. Mas vejam só, iria me custar 30 reais (minha cota e a do Capitão), fora o táxi (porque somos um casal liso), então some aí uns 50 reais só pra olhar a cara daquele povo! E eu nem vou muito com a cara deles... Sem falar que eu tinha estágio no IMIP no dia seguinte, de modo que mesmo após muitos apelos não me senti entusiasmada para ir. Ultimamente estou mais interessada em fazer esses programas de velho, ir à praia, comer cachorro quente, assistir DVD em casa, dormir... E a questão financeira conta muito! Mas não adianta, talvez eu seja só uma pessoa um tanto chatinha mesmo...

Eu queria simplesmente pular essa semana no Otávio. Por causa da morte de Thiago foi feita uma nova escala e o resultado é que estou no bloco cirúrgico todos os dias da semana. Isso significa trabalho dobrado, sem direito a tarde livre, e tendo que ficar horas em pé assistindo cirurgias sem graça... Fora o clima horrível que vai estar naquela enfermaria amanhã: todo mundo com cara de choro, o acidente sendo o assunto principal de qualquer conversa. Como diz minha madrinha Mônica: afff!...

O Capitão de serviço e eu dormindo na casa de mamãe outra vez... Mamãe matando as saudades de mandar em mim e dizer a que horas eu tenho que dormir... Ô, paciência...

Enfim, boa semana a todos.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

FRASES SOLTAS


Dúvidas em relação à medicina...

O fato de me sentir mal na enfermaria, junto aos pacientes ictéricos, com câncer, doentes...

Desejo de não precisar dar plantão e nem trabalhar no feriado...

Uma tosse que me acompanha há mais de uma semana...

Cansada de não ter dinheiro nunca...

O Capitão de serviço hoje...

Muita saudade de papai...

TPM de uma menstruação que não chegou (e todas as complicações que podem vir com esse fato)...

O ródízio de cirurgia que não termina...

E essa vidinha mais ou menos...

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

VELEIRO PIRATA E A INTOLERÂNCIA ALHEIA...


Veleiro Pirata agora! O lado negro da força!!! kkkkkkkkk

Propaganda da internet:

30.000 homens bonitos! Acesse www.homensparavoce.com

Essa foi óóóótima! :D

Atualizando o Veleiro, mas sem muita vontade... Feriado e eu tendo que levantar às 5 da manhã para dar plantão no IMIP. Fruto da intolerância alheia. Estava pagando a falta do dia do enterro de papai. Agora respondam: em que lugar do mundo essa falta não seria justificada? Em que lugar do mundo eu não teria sido dispensada do plantão para ir ao cemitério cumprir uma das mais dolorosas tarefas da minha vida? Lugar nenhum, apenas lá no IMIP, na cabeça doida de Ozanil, coordenadora de Neonatologia. Um dia inteiro perdido, sem fazer bulhufas, conversando água no Centro Obstétrico. E amanhã tenho plantão de novo. E domingo tenho que evoluir aqueles pacientes ictéricos e cancerosos do Otávio de Freitas. Pronto, meu feriado resume-se a isso.

Cansei do Otávio. Os novos residentes de lá são terríveis. 3 são indiferentes à sua presença e o outro presta atenção demais. Ele deve ter a "Síndrome do Pinto Pequeno" de que fala minha madrinha Luciana. Quer se mostrar mais inteligente e poderoso no grito. Tipo "eu sou o residente em cirurgia geral e vocês são os pobres doutorandos que me devem temor e obediência!". Em geral passamos o dia inteiro sem fazer absolutamente nada, apenas porque ele quer que a gente saia de lá às 5 da tarde. Não deve ter mais o que se preocupar na vida, exceto tornar a nossa existência dentro daquele hospital a cada dia mais difícil. Resultado: a próxima será a 7ª semana de um rodízio de 10, e eu não tenho mais a menor paciência...

Não gosto de lidar com adultos com câncer inoperável no pâncreas, estômago, intestino... Pessoas com 30, 40 anos, pais de família, que de repente se vêem com uma doença incurável e fatal. Aquela enfermaria me faz mal. O mesmo não acontece com os plantões de Neo. Adoro ver bebês nascendo. Em geral estão saudáveis, rosados, chorando. A materialização da esperança sendo renovada todos os dias. Gosto muito de bebês. O único problema em fazer Pediatria é passar a vida inteira em plantões...

Quero ser médica (eu acho, mas também agora não vou voltar atrás...), mas não quero viver dormindo fora de casa ou trabalhando 36 horas sem parar num final de semana. Isso tudo é por dinheiro? Pessoas, leiam o depoimento de alguém cujo sonho sempre foi morar na Avenida Boa Viagem: cansei disso, agora eu quero vida social, amigos, família. Defintivamente não quero trabalhar no final de semana, nem à noite, nem nos feriados. E se isso significa ter menos dinheiro, paciência. Casei e estou morando no Chico, tenho 25 anos e não tenho nem carro e nem salário, no momento minha carteira possui 15 reais para passar o resto do mês (que acabou de começar...). A vida é assim. Tenho certeza de que não vou estranhar se o futuro não me reservar grandes mudanças no setor financeiro...

A conversa de hoje no COB era sobre os planos de viagem de uma acadêmica, filha de pais médicos, que pretende ir pela 3ª vez à Disney, depois fazer residência no Canadá (onde já passou 3 meses) e voltar a visitar a Europa. E uma médica mostrando as fotos do aniversário de 1 ano da filhinha, que deve ter sido mais caro que o meu casamento inteiro. E por último a outra médica que não sabia ir de ônibus daqui para Gravatá. Ô, Senhor, tem piedade...

Meu mundo é o de quem tem que acordar às 5 para lavar os pratos que ficaram da janta e estender as roupas lavadas durante à noite, porque não tem empregada em casa pra fazer isso. Depois pega UR-05 via IMIP, almoça uma coxinha com Coca para economizar dinheiro, pega um ônibus com menino cheirando cola pendurado na porta e tem que fazer serviços domésticos novamente quando chega em casa. Não estou dizendo que isso é bonito ou que gosto dessa rotina. Mas meu mundo é esse. E eu quero melhorar de vida, quero ter meu carro, morar numa casa melhor, mas não às custas das minhas noites de sono ou meus domingos na praia. Se for pra ser assim, então fiquemos no Chico, andando de ônibus e almoçando coxinha, eu prefiro.

Muito sono agora. Vou dormir, que amanhã o dia é longo outra vez...