quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

GRÁVIDA DE UMA DANÇARINA




Ana Luiza mexe, mexe, mexe. Mexe tanto que chega a doer. Chuta, se estica, penso que às vezes até frevo ela dança na minha barriga. Sinto muito, minha filha, mas você só fica a termo na quarta-feira de cinzas. Se inventar de nascer no Carnaval, vai ser prematura.

Minha lombalgia melhorou consideravelmente depois que passei uma pomada abençoada na missa de Nossa Senhora das Graças. Nesse caso a força que curou foi a benção, não a pomada (uma imitação barata de Vick Vaporub). Nossa Senhora é mãe, duvido que andando por aquelas estradas esburacadas de Nazaré ela não tenha sentido dor nas costas. Uma mãe entende a outra. Depois dessa gravidez estou até entendendo a minha!

A barriga pesa muuuito no 3º trimestre. Ana Luiza está com 1,159 kg. Tem a placenta, os anexos, o líquido... Subir a ladeira da Charneca agora é tarefa impossível, estou pegando um táxi do Centro do Cabo até lá, e pagando mais 10 contos por dia... Qualquer copinho d'água me dá uma vontade enorme de fazer xixi (a bexiga espremida pelo útero...). Fora isso, tem o calor (nem comento...). E ainda faltam no mínimo 8 semanas! Tá bom, já faltaram mais...

Quando virar o ano prometo que compro o enxoval dela. É, ainda não comprei nada. Não tenho paciência, todo mundo sabe disso. Mas vou comprar, sempre acabo dando um jeito. Não preparei minha cerimônia de casamento em 1 mês?

Eu sei que tudo, no final, dá certo.

Feliz Natal.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A MARIA-DAS-DORES


27ª semana de gestação. Uma dor nas costas que irradia para a perna direita I-N-S-U-P-O-R-T-Á-V-E-L. Hoje fui parar na emergência em busca de atestado para passar o dia de repouso em casa. O médico nem olhou para minha cara. Era o esperado: médicos fazem residência de ortopedia para não ter que conversar com pacientes. O negócio deles é raio X e osso. Doeu? Faz raio X e passa antinflamatório. Continuou doendo? Opera. Meu problema é que grávidas não podem fazer raio X nem tomar antinflamatórios. O médico ficou com uma cara de "E eu faço o quê agora?". Tudo bem, doutor, eu só vim pelo atestado (não posso dar atestado para mim mesma...). Menos de 5 minutos de consulta e eu vim embora para casa.

Talvez seja uma boa fazer hidroginástica...

domingo, 8 de novembro de 2009

SOBRE A BURRINHA DA FELICIDADE




22 semanas já se passaram desde que Ana Luiza surgiu no Universo. Faltam 15 para ela estar pronta. Passo o dia e a noite sentindo chutes e cambalhotas de alguém que já está achando o lugar em que vive muito apertado... Ainda bem que ela nem vai chegar a saber o que é viver num apartamento do Chico...

Na próxima quarta-feira recebo as chaves do meu novo lar, um apartamento de 3 quartos na Sudene, no térreo, reformado, 2 banheiros, 1 suíte, área de serviço, sala de jantar... Meu pesadelo acabou. Não é próprio, mas já é um passo adiante. Só em não ter que fazer parte dessa "comunidade" na qual passei meus últimos dois anos, só isso já faz a diferença. Além do mais é muito perto da minha mãe. E na hora em que um bebê anuncia sua chegada, uma marinheira de primeira viagem como eu precisa desesperadamente da ajuda da mãe.

Segurar bebês assim que nascem e dar os primeiros cuidados é muito fácil. Não parece, mas eles são fortes e durinhos. Não precisa de muito caqueado para segurar um bebê logo após o parto: basta pegar no pescoço e nas pernas e levar ao bercinho aquecido. Eles já estão tão incomodados que nem ligam se você os apertar. Mas depois das primeiras horas a coisa muda. Ficam molinhos e frágeis. Nesse momento não adiantam nada minhas horas de sala de parto: não sei segurar um bebê a partir daí. Não sei o que fazer com eles. Não sei segurar para dar de mamar. Aliás, dar de mamar deve ser muito estranho. Eu achava que bebês mexendo dentro da barriga seria estranho, e hoje posso confirmar que é, sim, senhora. É interessante saber que existe um serzinho com movimentos próprios dentro de você, mas não deixa de ser estranho. Ana Luiza passa o dia fazendo ginástica. Quando puder andar eu que me prepare... Às vezes peço para ela ficar quietinha, só pra variar, porque a barriga fica tão esticada que parece que vai estourar, e isso incomoda. Mas, se ela escuta, provavelmente deve dar um risinho e ignorar os apelos da mãe. Sinal de saúde, eu sei, e isso ela tem de sobra. Eu é que tenho que me acostumar em suportar meus incômodos pelo bem dela. Não é o papel da mãe?

Por mais que eu saiba que ela existe e que possa vê-la nas USG, Ana Luiza ainda é uma idéia. Depois do parto essa idéia vai tomar forma, chorar, fazer cocô, dormir. É outra pessoa que surgiu de dentro de mim. Eu sou capaz de gerar outra pessoa! Isso não é incrível? Claro, eu sei, vi na escola, na faculdade, mas ainda não tinha visto em mim mesma. Tem tanta coisa que eu acho que não sou capaz de fazer: cozinhar bem, dirigir bem, piscar um olho só... Aí de repente eu gero uma criatura, um serzinho perfeito, com dois olhinhos, dois bracinhos, duas perninhas, hemisférios cerebrais no seu lugar, que já, já nasce e vai se mexer sozinha, chorar quando quiser, olhar para onde quiser, independente da minha vontade. Cuidei do meu cachorro, ele me ama, eu o amo também, mas ele não veio de mim. Ana Luiza vai vir. Isso é mesmo incrível...

Recebi meu primeiro salário e isso me possibilita pensar mais nessa história de ser mãe e cuidar de alguém. Enquanto minha mãe me sustentava não estava conseguindo me ver como provedora de outra pessoa (se eu nem conseguia me manter sozinha...). Agora posso imaginar o quarto dela no apartamento que tem espaço de sobra, fazer planos, executá-los. Trabalhar na Charneca não é tarefa fácil, isso eu digo e repito quantas vezes for necessário. Mas pagar contas, sair do SPC, dar adeus ao Chico, isso compensa qualquer sacrifício.

"A Natureza das Coisas" nunca foi tão minha música quanto é agora...

"Se avexe não
Amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada
Se avexe não
A lagarta rasteja até o dia em que cria asa..."

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

DÚVIDAS...


Como será viver na França?

Como será andar por ruas sem lixo, parques com brinquedos inteiros, esquinas sem trombadinhas?

Como será ter a Torre Eiffel ao alcance de um metrô?

Aliás...

Como será viver fora do Chico City? Acordar e não ouvir o barulho dos ônibus desde às 5 da manhã? Não ter que aturar os latidos irritantes da cadela da vendedora de Guaraná do Amazonas? Ter água na torneira mesmo quando a pressão da Compesa vem fraca e não precisar comprar um garrafão de água mineral para lavar os pratos?

Como será, hein?...

sábado, 17 de outubro de 2009

PADECENDO NO PARAÍSO...


Muuuito tempo sem passar aqui porque - enfim - o Cabo assinou meu contrato. Faz um mês que estou trabalhando e vou receber parte do meu 1º salário na próxima terça-feira. O SPC e o SERASA agradecem...

Meu posto de saúde é longe pra caramba. Sobe uma ladeira sem fim. Tenho que pegar 2 ônibus e uma Kombi para chegar até lá. Dia de visita domiciliar eu subo e desço aquelas escadarias de morro debaixo de sol quente. Lá falta remédio para verme e sobra remédio para micoses. E o povo não está interessado em prevenir doenças: está interessado em fazer exames sem necessidade e pedir atestado para não trabalhar. Essa é a saúde pública de Pernambuco.

Na grande maioria dos dias eu acho que não estou fazendo muita coisa. A gente se forma em medicina e quer mudar o mundo. Chega num posto e quer tratar hpertensão, prevenir as consequências do diabetes, medicar os lombriguentos. Mas o povo não toma remédio porque acha que Jesus vai curar a pressão alta; tem colesterol pipocando no sangue, mas não quer fazer dieta; tem varizes, mas não quer se operar. Quer remédio pra dor na coluna, mas não quer fazer tratamento com ortopedista porque é muito longe. Tem sempre dinheiro para tomar cerveja no final de semana, mas se é pra dar R$ 1,50 num comprimido pra verme acha ruim, só toma se der no posto. O médico fica dando murro em ponta de faca. O resultado é que a maioria desiste: não quer se tratar? Problema seu. Quer diclofenaco? Tome, depois que tiver uma úlcera vá pra emergência. Quer fazer "check-up" em menino de 1 ano e 6 meses? Faça, não importa se com isso você vai onerar os gastos do SUS. E o PSF não funciona...

Mesmo com todas essas questões é o Cabo e seu posto de saúde que vão pagar minhas contas até o final do ano que vem. Mas já deu para chegar à seguinte conclusão (na verdade confirmar o que eu já sabia): não gosto de lidar com adultos, muito menos idosos. Cada um com sua vocação. Criança é chata, chora só em olhar pra sua cara quando entra no consultório, tem manha, é o fuim; mesmo assim, eu prefiro as crianças. Mesmo com suas mães neuróticas que se apavoram com 2 dias de febre. Aprendam uma coisa: menino tem febre. Menino tem 8 infecções de vias aéreas superiores por ano: cada infecção dessa causa febre. Não precisa achar que a criança está morrendo porque sua temperatura subiu, ela vomitou e não quer comer. Você tem vontade de comer quando está doente? Porque o menino tem que ter? Virose dura 5 dias, não precisa tomar antibiótico, e a criança vai ficar molinha, depois passa. Olhe, mãe de menino com febre e garganta inflamada estressa mais o pediatra que o próprio menino!...

Mas adulto com suas dores que começam aqui e correm pra outro canto, ah!, me tiram do sério. Já entram no consultório com aquela cara de sofrimento pra ver se me comovem. Eu pergunto qual é o problema, eles sempre respondem: "Ah, doutora, é tanto pobrema, se eu for contar a senhora nem acredita...". Minha pressão sobe. Vou sair daquele posto hipertensa. Tem a dor nos ossos, nas pernas, já não consegue mais subir ladeira. Tem a dor que dá no coração toda vez que pega peso, e essa dor já faz uns 10 anos. Tem a dormência nos dedos dos pés. Tem o empachamento, tudo o que come ofende, deve ser o figo... E toma remédio pros nelvos, 3, 4 deles, senão não consegue dormir. É tanta queixa que eu me perco.

Tá bom, o povo é mal assistido pela saúde pública, mas também tem mania de doença. Mania de tomar remédio. Eu pergunto sobre a alimentação e todos respondem que comem pouquinho, sem sal, comida grelhada... Mentira! Rola uma charque sem fim naquela Charneca! Rola um chambaril cheio de gordura. Querem me convencer que comem melhor que eu e estão com o colesterol nas alturas! Não, querem é remédio. É chique dizer que toma muito remédio, que vive doente. Aguento isso por muito tempo não!

Tudo isso me veio à mente porque saiu o edital da Residência do HC, mas eu não vou fazer. Como disse, o Cabo e seus problemas vão pagar minhas contas. E no ano que vem, depois que Ana Luiza nascer, eu quero comprar meu carro. Não dá pra fazer isso com a bolsa da Residência. Ainda tem a novidade que vai consumir meu tempo a partir de março. Casar já foi difícil, cuidar de bebê eu nem imagino como vai ser. Teria que atrasar uns meses da Residência e depois correr para compensar. Por tudo isso é melhor deixar para 2011.

Mas confesso, o edital saindo, as provas se aproximando, aquela oportunidade de lidar só com o tipo de paciente que eu gosto, com doenças reais (não com invenção da cabeça desse povo neurótico), ah!... Dá uma vontade de fazer diferente!....

Não! Foco! Pensa nas dívidas! Pensa na menina!

Foi só a primeira coisa que eu tive que abrir mão (temporariamente) depois que virei mãe...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

HEIN?

Sabe aquele momento da vida em que você não sabe o que fazer? Não sabe se casa ou compra uma bicicleta? Não sabe se volta a estudar (?) para a Residência ou se espera pelo contrato com a prefeitura do Cabo, que já não é mais tão certo quanto antes?
A prova do HC é dia 15 de novembro. Faltam menos de 2 meses. Eu não estudo como deveria desde... sempre. Tem o bebê. Tinha desistido porque precisava de dinheiro, precisava trabalhar. Não estava com vontade de começar a Residência e parar logo no 2º mês por causa do parto.
Mas aí veio a greve dos médicos do Cabo, a contratação não está mais certa, minhas dívidas se acumulam. E ainda tem o bebê. Fazer a prova da Residência e pelo menos garantir uma bolsa para o ano que vem? Mas como estudar sem cabeça nenhuma?
Eu faço o quê, pelo amor de Deus?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

FAZENDO UMA MÉDICA FELIZ!


Durante algum tempo naquele curso que não tinha fim, achei que poderia ser feliz fazendo qualquer outra coisa. Poderia passar num concurso para técnico administrativo e trabalhar numa repartição pública, 8 horas por dia, segunda a sexta, folgar nos finais de semana e feriados, chegar em casa e não ter que me preocupar mais. Poderia trabalhar num banco, arrumadinha, de roupa social e salto alto, no ar condicionado. Poderia até nem trabalhar! Mas - não entendia nem por quê - insisti em ser médica.

Aí ontem, domingão, sol no céu, marido dormindo sossegado até mais tarde, aquele aconchego convidativo no meu lado da cama, levanto eu às 5 e meia da manhã para ir ao Memorial dar plantão. Putz! Tanta coisa mais interessante para fazer no domingo!... Tanto tempo que eu não vou à praia!... Que invenção é essa de ser médica? Pegar 2 ônibus para voltar àqueles plantões em que eu fico tanto tempo sem fazer nada, esperando dar a hora de ir embora!... Que tédio!

Acontece que Deus, lá de cima, ria da minha total ignorância quanto a mim mesma. Ria por me conhecer melhor do que eu e saber exatamente o que me deixaria feliz. Estava no Memorial novamente, no mesmo dia de antes, com as mesmas pessoas de antes, porém havia um detalhe: agora eu tinha carimbo. E um carimbo abre todas as portas dentro do hospital!

"Doutora, o médico de ontem esqueceu-se de solicitar esses exames. A senhora pode fazer isso?"

PREENCHE QUE EU CARIMBO!

"Doutora, desde que Juquinha acordou que não pára de sentir febre. O que eu faço?"

VOU PASSAR UM ANTITÉRMICO E DAQUI A MEIA HORA EU REAVALIO PARA LIBERÁ-LO, CERTO?

Ontem, naquele consultório, trabalhando feito um burro de carga (comprovei que o Memorial é, de fato, uma exploração), passando 6 horas sentada sem conseguir levantar para tomar água por causa da fila de meninos doentes e mães apavoradas, descobri que não seria feliz em nenhum outro lugar, mesmo que trabalhasse menos e ganhasse mais: eu sou feliz assim, sendo médica. Sou feliz pegando meus bebês na sala de parto, vendo-os nascer rosadinhos e chorando feito bezerros desmamados. Sou feliz quando atendo uma menina desesperada pela dor na barriga e consigo fazer melhorar receitando algumas gotas de analgésico. Sou feliz até mesmo quando tenho que suturar a perna de um menino de 11 anos, manhoso que só ele, que se arrebentou porque foi desobedecer à mãe (tá vendo? Bem feito!), ainda que por causa desse menino eu acabe saindo do hospital quase às 8 da noite...

E durante todos aqueles anos em que eu reclamava (fato raro!) da vida, Deus olhava e ria, por saber que eu estava indo no caminho certo, mesmo que ele fosse longo e difícil. Nunca achei minha profissão tão linda e interessante quanto agora, depois do meu carimbo, depois que eu mesma posso estabelecer condutas sem precisar da autorização de ninguém. Nunca tive tanta vontade de estudar quanto agora, para saber como conduzir os casos menos comuns. Nunca fui tão feliz!

E o Veleiro, acostumado às minhas lamúrias, precisava saber disso.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

SMAC!




Estou com muita preguiça hoje. É sexta-feira, aniversário do Capitão, eu deveria estar lendo alguma coisa de Pediatria, pelo menos para não fazer feio domingo. Vou começar a trabalhar como médica no Memorial. Será quase o mesmo trabalho que eu fazia antes, acrescido do atendimento às urgências. Como acadêmica eu só evoluía os bebês do alojamento conjunto e ficava na sala de parto; agora eu vou ficar na sala de parto e no consultório, cuidando dos meninos cansados, vomitando, com febre... Eu deveria estar lendo, mas tô com uma preguiça dos infernos... Nessa semana fiz faxina em casa (a última da minha vida, finalmente contratei alguém para dar conta desse serviço por mim!), arrumei o que estava bagunçado, cozinhei... Tudo para passar o tempo enquanto os médicos do Cabo de Santo Agostinho fazem greve e me impedem de assumir minha função num posto de saúde da prefeitura (e ganhar dinheiro, o mais urgente nesse momento!). Vou trabalhar ao todo 5 dias por semana, sendo que um deles vai ser no domingo, o que é chato (D-E-M-A-I-S), porém necessário. Hoje, mesmo com os pratos sujos na pia e o plantão batendo à porta, estou mais a fim de assistir à televisão...
Meu bebê está com 14 semanas (faltam só 23...) e tudo corre bem com ele. Os enjôos melhoraram significativamente, talvez enfim tenha passado esse período. E é aniversário do Capitão! 31 aninhos de pura beleza, carisma e sensualidade, sendo 12 ao meu lado! =D Meu amorzinho, que me faz tanta raiva, mas também torna minha vida tão mais interessante! Parabéns para ele! Um beijo!
(Na foto: êita, homem bonito!)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

E ENFIM!


Saiu o meu CRM.

Agora acabou-se.

Não tem cristão nesse mundo que diga que eu não sou médica.

E começa uma nova era para esse Veleiro de Cristal...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Ê, POVO BONITO...


Parece que o diploma sai nessa segunda-feira. Se isso acontecer, o CRM pode sair na 1ª semana de setembro. E se isso acontecer - e os médicos do Cabo acabarem a greve - eu posso receber dinheiro já em outubro!

Claro, estou muito feliz por ter concluído meu curso. Há 11 anos atrás era apenas um sonho de vestibulanda: hoje é real. Estou feliz por poder trabalhar, cuidar das pessoas, fazer o que gosto. Mas no momento preciso mesmo é de dinheiro. Por isso, quanto mais cedo esse CRM sair, melhor! ;D

De qualquer forma, se não der para começar imediatamente no Cabo, poderei já começar no Memorial. Agora sem depender mais do carimbo de ninguém!

Fiquei feliz!!!

(Na foto, eu, mamãe e Mellina, chiquérrimas, no dia do culto.)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

COMEÇAR DE NOVO...


Parar de fumar, fazer ginástica, emagrecer.

Trabalhar menos, não trabalhar, arranjar um trabalho.

Estudar inglês, espanhol, francês, italiano, alemão, japonês.

Comer melhor.

Aprender a dizer sim, aprender a dizer NÃO.

Guardar dinheiro, ir ao dentista, terminar o tratamento.

Cortar doces, massas e frituras.Viajar mais.

Amar, se apaixonar, se desapaixonar.

Morar sozinho, morar com alguém, deixar de morar com alguém.

Trocar de carro, comprar um apartamento, uma bicicleta.

Andar mais a pé.

Sair para dançar, sair com os amigos, ficar mais em casa.

Fazer um check-up, arrumar o armário, ir ao cinema.

Casar, casar de novo, casar mais uma vez.

Ter um filho.

Mudar de emprego, mudar de escola,mudar de vida.

Não importa o que você queira mudar, mude;

mudar é bom, mudar faz parte da vida.

(Kathlen Heloise Pfiffer)

Porque esse Veleiro não será mais meu barco de lamentações.

E porque eu preciso estudar, apesar desse enjôo e dessa canseira dos infernos...
(Na foto, eu, Amilson e o bebê querendo aparecer mais do que a mãe...)

domingo, 9 de agosto de 2009

DIA DOS PAIS


Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...

Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...

Pai!
Pode crer, eu tô bem, eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...

Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor prá você...

Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...

Pai!
Me perdoa essa insegurança
Que eu não sou mais aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...

Pai!
Eu cresci e não houve outr jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar

Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais, muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz

Pai!

Paz!...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

PORQUE NÃO TEM OUTRA PALAVRA NÃO...


O CRM só sai no final de setembro.

Só posso começar a trabalhar em outubro.

Só receberei dinheiro em novembro.

Pronto. Agora sim fudeu...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

...


Eu sou uma pessoa dividida entre a alegria de me formar e esses enjôos. Estou enjoando pra caramba! Já vi que meu filho vai ser chato que nem eu!

Estou pensando no dinheiro que está a caminho, no novo apartamento, no carro. Ainda não há espaço para abrir sorrisos com roupinhas de bebê. Mas estou um pouco mais acostumada com essa idéia. Olhei algumas roupas de gestante, imaginei minha barriga chegando nos cantos primeiro que eu... Não é uma sensação muito confortável...

Assim como não fui uma noiva 24h envolvida com detalhes (quase) fúteis do casamento, não sou uma grávida que se derrete com um par de sapatinhos de tricô. Estou enjoando e vomitando, esse é o fato. Tudo bem, faz parte. Quando isso passar e eu estiver na varanda do meu novo apartamento, aí sim, prometo que começo a pensar na cor que vou decorar o quarto. No momento eu quero me encontrar no mercado de trabalho.

E outra: 12h de trabalho de parto, me contorcendo de dor? Não vou querer isso pra minha vida não, hein!

Uma coisa de cada vez...

DÁ LICENÇA?


sábado, 25 de julho de 2009

DOUTORANDA? SE FUI, NEM LEMBRO!!! =D


"E na sua meninice

Ela um dia disse

Que chegava lá!

Olha aí!

Olha aí!..."

terça-feira, 21 de julho de 2009

A TAÇA DO MUNDO É MINHA!!!


Hoje é 21 de julho de 2009, um dia muito importante. Exatamente hoje acabaram-se as minhas atividades no internato. Se não fosse uma prova de Clínica Médica depois de amanhã (só para cumprir tabela, não vai influir em mais nada), eu poderia dizer oficialmente que não pertenço mais ao mundo dos doutorandos. Mas já estou dizendo isso mesmo sem ser oficial!

5 anos de vestibular, 4 anos de aulas, 2 anos de internato. 11 longos anos lutando apenas por uma coisa: ser médica. Em nenhum outro momento essa jornada teve tanto significado como agora que ela terminou. Ouvi críticas por trancar a faculdade de enfermagem (até meu paizinho querido achou que eu deveria deixar de besteira e ser enfermeira), vi todos os meus amigos do colégio se formarem e vencerem na vida, vi minha irmã mais nova terminar o mestrado antes de eu concluir a graduação! Esse tempo todo lisa, andando de ônibus, estudando com um povo acostumado a comprar tudo o que quisesse. Casei e vim morar no Chico - e essa parte prefiro nem comentar. 26 anos e ainda dependendo dos outros, tendo que ouvir mamãe dizer com o que eu deveria ou não gastar o dinheiro que ela me dava. 11 longos anos...

Mas hoje, finalmente, as coisas começaram a mudar. Recebi 2 boas propostas de emprego. Eu disse 2 BOAS propostas de emprego na Região Metropolitana (porque no interior eu tinha várias, mas apareceu esse bebê...). Empregos que vão me garantir realizar os 2 sonhos mais imediatos da minha vida: comprar um carro para mim e o Capitão e me mudar desse lugar onde sou obrigada a viver. E quando eu digo carro estou querendo dizer carro mesmo (não carrinho...), e onde tiver "apartamento" leia-se Home Service. Isso significa que eu passei os últimos 2 anos da minha vida lavando banheiro e limpando chão de cozinha - entre um capítulo de livro e outro - mas daqui a pouco tempo - muito pouquíssimo (se isso existir!) tempo - eu estarei no lugar em que sempre quis estar. E mais do que querer, eu estarei no lugar onde mereço estar!

Posso estar desenvolvendo um surto de grandeza, é verdade, mas não daria para explicar a satisfação que estou sentindo agora. É como se finalmente tudo fizesse sentido, todos os meus esforços, todos os meus anseios e tudo o que eu tive de ouvir durante esses anos. Semana passada fui obrigada a escutar de uma funcionária de oficina mecânica que ser médico hoje em dia não significa nada, que os mecânicos conseguem ganhar até 3 mil reais no lugar onde ela trabalha! Bateu uma vontade enorme de perguntar: "Querida, você acha que 3 mil reais é muito dinheiro? Ô, amiga, deixa eu te contar quanto eu ganharia se fosse trabalhar em Petrolândia!...", mas, é claro, sou uma pessoa fina e educada... Porque a medicina para mim não é apenas uma questão financeira; se fosse, eu faria residência de anestesia, radiologia ou qualquer outra área, menos pediatria, a mais mal paga das especialidades médicas. Agora, por favor, se quiserem falar de dinheiro, tudo bem, a gente fala! Não venha você, que muito mal terminou o 2º grau, não passou em vestibular nenhum e hoje ganha a vida numa oficina mecânica e mora de favor na casa da sogra, não venha você dizer que meus 11 anos de esforços não significam nada! Só que antes eu tinha que escutar isso e voltar a pé para minha casa no Chico, vendo meu marido cheio de dívidas, a gente sem dinheiro para comprar um carro nem viajar no aniversário de casamento. Como é que eu poderia dizer alguma coisa? Entretanto a partir de hoje eu posso, porque lutar por um sonho e ser médica vai passar a fazer sentido. Se alguém ainda teimar em dizer que não, mostro a chave do meu carro zero e vou embora para o meu flat quase à beira-mar! =D

Afff! Assim nem eu me aguento! rsrsrs

domingo, 19 de julho de 2009

Ô, COITADO!

Eu e o Capitão recebendo parabéns pelo herdeiro... Bichinho do meu filho! Vai herdar as dívidas do pai e o liseu da mãe!... Deveria haver destino melhor para uma criança!... =)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

ENTREGANDO A DEUS


Comecei a tomar um remédio e ontem tive meu primeiro dia sem vomitar. São 9 da manhã e eu ainda não estou sentindo muito enjôo. Parece que as coisas estão melhorando...

Já consigo até pensar na minha vida daqui pra frente. Já consigo ter forças para retomar meus estudos depois que esse internato acabar (faltam 8 dias!!!), porque agora mais do que nunca eu preciso passar na Residência (e ter a garantia dos meus 4 meses de licença maternidade). Estou pensando em assumir Moreno (passei no concurso mas não iria assumir porque o salário é baixo), também porque ser funcionária pública me garante a licença maternidade... Enfim, aos poucos é preciso adaptar a vida já que esse serzinho resolveu se apressar para aparecer. Sem enjoar fica mais fácil...

Nunca vi mãe mais desnaturada... =D

segunda-feira, 13 de julho de 2009

ERA PARA EU ESTAR CONTENTE?


Tive o pior fim de semana da minha vida, não páro de enjoar um só minuto, coloco pra fora tudo o que como e não tenho a mínima disposição. Tudo isso faltando 2 semanas para a prova de Clínica Médica!...

Estou esperando o dia em que essa novidade vai me fazer feliz...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

PUTZ!...


Na minha cabeça, estava planejando me formar e ganhar dinheiro. Tudo bem desenhadinho, apenas eu e o Capitão correndo o mundo, morando onde pagasse mais. Ano que vem, férias em Gramado. Tudo pensado, organizado, acertado nos mínimos detalhes. Mas aí...

Aí Deus - não sei por que cargas d'água - achou que não deveria ser assim. E eu e o Capitão, imaginem, um casal tão organizadinho, tão obediente às datas e às proibições!... Talvez por causa do estresse pré-formatura, talvez por causa da fluoxetina, talvez porque Deus queria que fosse desse jeito, enfim, vai saber! O fato é que agora somos três.

As mulheres ficam dóceis quando descobrem que carregam alguém dentro da barriga. Comigo ainda não aflorou esse instinto maternal. Era o meu momento, a minha formatura, a minha declaração de independência. Agora aparece esse amontoado de células escondido no meu útero querendo toda a atenção do mundo para ele! Querendo que eu mude todo o meu roteiro de vida para satisfazê-lo! Como é que eu posso ganhar o mundo com uma barrigona? Como é que alguém é feliz enjoando o dia todo e todo dia? E eu vou ser obrigada a morar nessa cidade barulhenta porque preciso ficar perto da minha mãe (vocês acham que eu faço alguma idéia de como se cuida de um bebê??? O Capitão menos ainda!)!

É bonito estar grávida, legal ver o Capitão se tornar pai, mas ainda não sei se posso gritar aos quatro ventos que estou feliz. Estou assustada. Sei lá, quem sabe me protegendo desse ser estranho que quer se alimentar da minha comida, beber da minha água, me fazer engordar. Não vou agora virar a mulher que nasceu para ser mãe e dizer que já amo esse bebezinho. Não sei nem o que ele é ainda! Para mim ele é um susto, teremos 8 meses para nos acostumarmos um com o outro. Não estou renegando meu filho. Apenas não sou dada a hipocrisias...

É isso. E era só o que me faltava...

sábado, 27 de junho de 2009

RÁPIDAS!

Moniquinha, só você mesmo... =*
Estou tão ansiosa e tão estressada, com tantas coisas para resolver e ainda tendo 4 semanas de internato pela frente, que até parece que vou casar de novo!
Ufa!... Pensei que se formar fosse um troço mais fácil!...
P.S.: Michael Jackson morreu. Who's bad now?

quinta-feira, 25 de junho de 2009

FORMANDA EM FÚRIA!


Estou quebrando a cabeça para conseguir chamar todas pessoas que amo para o meu baile!!! Não há senha para todo mundo! Acho que vou ter que sair cortando o povo!

Poderia começar dizendo que a minha irmã comprasse a senha da sogra dela! Que absurdo eu ter que levar toda a tropa para o baile! Não é a minha família! Acho que meu sogro nem vai!

Tudo bem, tudo bem, eu até dou a senha da sogra (não acho certo, mas faria isso para evitar a celeuma familiar), mas o que custa ela comprar a da cunhada? Peraí, quebra o galho! Tem amigos meus que correm o risco de não irem porque não sobrará senhas! E eu não vou ter dinheiro para comprar extra pra ninguém!!!

Por acaso sou eu quem vai casar e levar o pacote todo de brinde?

Ora, faça-me o favor!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

ESPERA NO SENHOR...


Sabe a única coisa que eu sei? Que está acabando. Eu não sei para onde eu e o Capitão iremos no 2º semestre, não sei o que vou fazer da vida no ano que vem, mas eu sei que todas as dificuldades pelas quais eu e ele estamos passando estão chegando ao fim. Deus está vendo. Eu não precisaria de nenhuma prova para crer nisso. Não havia dinheiro para fazer a feira hoje? Deus estava vendo. E é por Ele estar vendo que eu sei: daqui a alguns meses nós estaremos muito bem. E eu voltarei aqui só para escrever isso.

O que importa, meu amor, é que EU TE AMO.

"Juntos, não há estrelas que não possamos alcançar, nem sonhos que não possamos realizar..."

quarta-feira, 3 de junho de 2009

COMO QUEM PARTIU OU MORREU...


O avião caiu. 228 pessoas morreram. Isso é tão doloroso, tão inacreditável que parece mentira. Culpa de ninguém, ao que parece, só a constatação de que tudo o que sobe tem que descer, mesmo que seja assim. E ia todo mundo a Paris, a cidade-luz, meu sonho de consumo. Já pensou? Talvez estivesse naquele avião alguém exatamente assim como eu, que passou a vida inteira lisa sonhando com o momento de tirar foto diante da Torre Eiffel, juntando cada centavo só para sentir o gostinho de pisar em solo francês, alguém que decolou feliz achando que finalmente o dia havia chegado. De repente, PLOF. O avião cai na água, morre todo mundo. Nem sonho, nem Paris: só as águas do Atlântico, aqui pertinho, nem do Brasil conseguiu sair. Que coisa triste...

Essa vida não vale nada mesmo. Há 3 semanas um rapaz de 28 anos, professor de inglês, foi assassinado ao meio-dia, sol a pino, por um "ser humano" de 17 anos (a quem a "Justiça" ainda insiste em chamar de menor), poucos metros antes de chegar em casa. Era irmão de um colega de turma meu. Fui ao enterro, uma das coisas mais tristes que já vi. Porque uma coisa é morrer idoso, outra coisa é morrer no início da vida, cheio de planos. Tinha um monte de políticos lá, fazendo firula. Sim, porque detesto política e não acredito nos políticos. Voto porque sou obrigada, senão nem perderia meu tempo. Cadoca estava lá, vendendo seu programa de câmeras de segurança vigiando a cidade toda (alguém lembra da última campanha?). Mas que eu saiba o nome de Cadoca ficou conhecido por causa do Recifolia, do pão e circo que alimentam a população dessa cidade. Pernambuco é o Estado do Carnaval, o Marco Zero fica cheio com o povão frevando, o maracatu comendo solto no centro, cerveja a 3 reais, espetinho de gato à vontade. Quem se lembra de mais nada no carnaval? Nossa cidade tem o carnaval mais democrático do país, qualquer Zé das Couves pode pegar o busão no sábado, descer do Ibura e vim curtir o Galo da Madrugada, o maior bloco carnavalesco do planeta, debaixo do sol escaldante. E agora no São João? Tem forró no Marco Zero, minha gente! Tem forró no Sítio da Trindade, tem Arraial descentralizado, os manos da comunidade nem precisam se deslocar, podem aproveitar o arrasta-pé lá no Alto do Abacaxi mesmo! Quer cidade melhor que essa?

Mas o contador de homicídios, aquele que funcionava próximo à Maurício de Nassau, foi desativado. Por quê? Acabou a violência em Pernambuco? Ninguém morre mais? Podemos andar tranquilos por aí? Não, é tudo falsidade. Os ladrões, assassinos, bandidos disfarçados de "adolescentes" protegidos pelo Estatuto ainda andam soltos e ditam as regras, de noite ou de dia. Você não tem o direito de trabalhar e comprar um celular moderno com o dinheiro suado que ganhou, porque o ladrão leva. Nem precisa andar de carro: ele entra no ônibus e leva do pobre mesmo. Nem precisa reagir: ele atira em você só pra não perder a viagem. Mas nosso governador foi eleito uma das personalidades que mais fazem por PE. E no hospital onde meu tio está internado não tem nem laboratório no final de semana. O hospital principal de Bezerros funcionava no último sábado sem um médico plantonista, porque o que estava lá fazendo esse papel era um ACADÊMICO DO 10º PERÍODO, que quase morreu de susto quando eu cheguei perguntando pelo médico. Esse acadêmico era o responsável pelo meu tio, provavelmente portador de um tumor de pulmão. E ele teoricamente sabe menos do que eu...

É, eu sei, tá virando uma salada esse post de hoje. É porque eu tô desanimada com a vida mesmo. Triste pelas pessoas que morreram no avião, triste pelas que ficaram, triste pelo meu tio, triste pelo meu fraco desempenho acadêmico no rodízio de Clínica Médica (O-D-E-I-O Clínica Médica...). Tem muita coisa errada nessa vida. Resolvi iniciar fluoxetina para mim e ver se fico mais alegrinha. Não quero ouvir críticas! A médica aqui sou eu!!!

Grande demais o post. Tá bom, chega.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

GORDA, BALEIA, SACO DE AREIA...


Eu estou gorda.

Não, vocês não estão entendendo. Estou gorda. G-O-R-D-A. Um boi. Roupa nenhuma cabe. O vestido que comprei em novembro para a formatura não fecha mais até o final do zíper. Não tenho mais calças, não tenho mais blusas, nada. Comecei a ganhar algumas migalhas a mais de dinheiro, passei a poder frequentar rodízios de pizzas, de carnes, fazer o que mais gosto na vida - que é comer - e o resultado de ser feliz é esse: virei uma caçamba de banhas. E eu deveria estar linda daqui a 2 meses...

Sim, comecei uma ginástica. Mas odeio ginástica. Odeio porque dói, cansa, ocupa meu precioso tempo que deveria ser plenamente dedicado aos estudos. Não volto mais disposta depois da ginástica (para mim isso é lenda): volto acabada, moída e profundamente abusada. E tenho mais vontade de comer. =P

E se eu tomar sibutramina, hein?

.

.

.

.

Nessas horas eu não deveria saber de todos os malefícios que o uso indiscriminado de remédios para emagrecer causa no organismo das pessoas.

Droga...

terça-feira, 12 de maio de 2009

ESTOU ATRASADA, ESTOU ATRASADA!


Não posso escrever.

Tenho que estudar.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

"UM ABRAÇO, UM SORRISO, UM ACENO, COISAS FÁCEIS, GESTOS TÃO PEQUENOS, COISAS FÁCEIS..."


Após a assembléia da última segunda-feira, a 115 decidiu aprovar a festa surpresa de 48h, com direito a bebida à vontade e acomodações com "total privacidade" para o formando e seu acompanhante (ou seja, vai ser a "festa do sorvete"...). Para tanto, será preciso "apenas" que se desembolse a módica quantia de 410 reais para o formando e 550 reais para o acompanhante. Mas não se preocupem! Este valor, embora irrisório, ainda poderá ser dividido em até 7 vezes no cartão de crédito! Uma pechincha! Ninguém tem desculpa para não ir!

BAAAHHHH!

Obviamente, eu, como formanda chata que sou, não irei a essa festa. E posso expor tranquilamente aqui os meus motivos.



  1. A festa acontecerá nos dias 1 e 2 de agosto. No final de semana anterior (25 e 26 de julho) eu e o Capitão completaremos 2 anos de casamento. Fizemos vários planos de viajar nesse dia, fazer nossa 2ª lua de mel em Garanhuns novamente, amando, querendo bem e comemorando minhas tão sonhadas férias, já que o curso acaba no dia 24. Entretanto, a vida real tratou de nos trazer de volta e o dinheiro não será suficiente, inclusive porque para começar a trabalhar como médica eu vou precisar desembolsar 400 reais para tirar o meu registro no CRM. Então vejam: se eu tivesse dinheiro para viajar, sem sombra de dúvida iria preferir fazê-lo nas minhas bodas de algodão, com meu marido, sozinhos, e não embarcar nessa canoa furada. 1060 reais não nascem da noite para o dia! Deram a idéia de fazer uma rifa, assim cada um tentaria garantir sua viagem às custas dos outros. Mas que outros? Eu detesto vender rifa, acabei sempre comprando as minhas. Não tenho mãe, tios, avós ricos como meus colegas de turma sugeriram. A vida está difícil!


  2. Desde abril de 2004 eu venho pagando mensalmente essa formatura. São 70 alunos pagando há 5 anos, fora os lucros dos investimentos, das rifas e do patrocínio do Hospital Português e dos Laboratórios Gilson Cidrim. A comissão disse que caso fosse feita uma festa surpresa normal (com 5 horas de duração) não seria preciso pagar mais nada. O custo dessa festa surpresa seria de 28 mil reais (!!!) e ninguém precisaria dar mais um centavo. Ou seja, dinheiro, meus amigos, tem de rodo. Por que então não se faz uma festa dessas? Única e exclusivamente por causa da vaidade, da soberba, do desejo de fazer a maior festa de formatura do mundo, como se só assim pudéssemos nos sentir satisfeitos. Se eu não for porque não tenho dinheiro (e é difícil para esse povo entender que sim, há doutorandos que não tem dinheiro...), puxa, é uma pena, mas a festa ocorrerá independente disso. Não importa se num evento da formatura um dos formandos não poderá ir. O que importa é que as outras turmas sintam inveja do que a 115 fez...

Não senti clima de confraternização nenhuma naquela assembléia. Como já disse, tenho inúmeras dificuldades financeiras. Se não fosse haver nenhum evento na formatura além desse, se a gente só tivesse essa opção, mas não, há uma outra opção mais barata que foi rejeitada somente porque seria igual a todas as outras! Me endividar a troco de nada apenas para satisfazer os desejos megalomaníacos desse povo que não tem valor nenhum (sugeriram tirar o culto para economizar dinheiro! Acham que agradecer a Deus a formatura é algo sem importância!)? Não, minha gente, vou não. É mais do que falta de dinheiro, é falta de vontade mesmo. Existirão outras festas, meus amigos estarão comigo nelas, sinceramente são essas que significarão alguma coisa para mim. 48h de hipocrisia, falsidade e dinheiro jogado no lixo, me desculpe, mas tô fora.


"Soberba é o sentimento negativo caracterizado pela pretensão de superioridade. O soberbo se sente auto-realizado querendo mostrar-se para os outros a todo preço, querendo despertar a inveja e a admiração dos outros, como se isso elevasse sua estima ao máximo e lhe trouxesse prazer. Para o soberbo, ele deve sempre estar no topo, sendo o parâmetro mais alto para as pessoas, despertando interesse e curiosidade de todos. A soberba se corrige com simplicidade." (Wikipédia)

domingo, 3 de maio de 2009

A FORMANDA MAIS CHATA DA 115!


Depois de tanto tempo sem aparecer por aqui, nem o próprio Veleiro me reconhece... Ando sem tempo e sem assunto, nessa mesmice de final de curso, onde não se aprende mais nada e nem se tem mais paciência para aprender...

Minha turma (nem comento mais sobre as qualidades megalomaníacas da minha turma...), empenhada na missão de fazer "A Melhor Formatura de Medicina de Todos os Tempos", inventou que a festa surpresa, tradicionalmente com duração de 4-5 horas, vai ter 48h. Explico: formaturas de medicina viraram um filão comercial assim como casamentos. As empresas de eventos perceberam que noivas e quase-médicos, com raras exceções (eu me incluindo nelas) são seres mergulhados em dinheiro e com bastante disposição para gastá-lo no que consideram o grande evento de suas vidas. Então a formatura de medicina inclui, além do trivial (colação-culto-baile), um almoço no Boi Preto após a aula da saudade, um bailinho para o formando e seu acompanhante, uma festa numa boate após o culto, um jantar dançante para o formando e seus pais, um café da manhã igualmente dançante após o baile (sim, eles têm fôlego para isso!) e essa festa surpresa, em que todos são levados dentro de um ônibus com portas e janelas fechadas para um lugar escondido, onde (segundo reza a lenda) acontece tudo o que faltou acontecer durante os 6 anos de curso. Ninguém pode faltar e ninguém pode ir embora antes de terminar.

Enfim, passar 48h num lugar escondido com aquelas pessoas parece para mim a visão do inferno. Não me acostumei com a maioria delas durante o curso inteiro, não quero ser obrigada a perder meus diazinhos de sossego confinada numa casa com esse povo. A propaganda de "bebida à vontade" dá um frio na espinha. Médico é a raça que mais bebe na face da terra. E eu nem bebo, nem tenho vocação para aguentar bêbado atrás de mim. Não está definido ainda se poderemos levar acompanhante, e este se for terá que pagar uma quantia ainda não revelada, mas que pelo visto vai ser altíssima. Resumindo: eu viro bicho se alguém ousar me obrigar a passar 48h com um povo que eu não suporto e longe do meu marido! Quero mesmo ver se vão ter coragem!

Veja só, eu tenho mais o que fazer, sério mesmo. Não tenho mais saco para isso não. Não são meus amigos, alguns já nem me dão bom dia, quanto mais quando se formarem. Se o Capitão puder ir (e nós pudermos pagar) eu até me submeto, porque vou tentar esquecer o resto das pessoas e me concentrar apenas na festa supresa com meu amorzinho, mas se não for assim não tem nem acordo! Eu simplesmente não apareço e priu! Quero ver se alguém vai vir até o Chico City para me buscar!

Sou chata não, hein? Só não estou disposta a hipocrisia! Passo um aperto danado aqui em casa e esse povo jogando dinheiro no lixo! Faça-me o favor!

Humpf!...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

A UMA HORA DESSAS, POR ONDE ANDARÁ SEU PENSAMENTO?...


"E o meu coração, embora

finja fazer mil viagens,

fica batendo, parado, naquela estação..."

quinta-feira, 2 de abril de 2009

HELP


Uma das coisas excelentes de ter uma casa própria é não precisar ficar mudando de lugar com frequência. No dia em que eu tiver a minha talvez tenha essa sensação. Por enquanto, estou passando pela conturbada fase da mudança de endereço.

É verdade que no meu caso não é nem uma mudança com M maiúsculo: saio do 3º para o 2º andar, mesmo prédio, mesma rua, mesma parada de ônibus. Apesar disso estou perdendo tempo a semana inteira desocupando armários, descobrindo que há muita coisa sem uso nessa casa (1 ano e 8 meses de casamento e a gente já juntou tanta tralha!...), com metade das minhas coisas no apartamento de baixo e metade no de cima... Tá tudo tão bagunçado!... E pior será a partir de amanhã, quando o rapaz vem desmontar o guarda-roupa e os outros móveis que não passam pela porta: eu vou ficar a sexta e o sábado inteirinhos arrumando tudo de novo!

E com tanta coisa para se fazer, com tanta coisa para arrumar, ainda tenho que ir agora à tarde ao hospital FAZER NADA, no ambulatório de colposcopia, pela 10ª vez! É por isso que EU NÃO AGUENTO MAIS ESSE INTERNATO!!!!

sexta-feira, 27 de março de 2009

EU QUERO! EU QUERO! ME ESCOLHE! ME ESCOLHEEEE!


Pô, já que é assim, então dá uma chancezinha para mim, vai...

Profissionais da saúde já constataram: os jovens formados em Medicina estão desistindo de ser pediatras. É um fenômeno novo, pouquíssimo estudado, mas de efeitos devastadores se nada for feito para reverter o quadro. Se hoje sobram vagas para a especialização em pediatria, num futuro próximo vão faltar médicos que cuidem das crianças e dos adolescentes.

Nos hospitais e postos de atendimento das periferias, esse tipo de profissional começa a rarear. Quem pode, opta por trabalhar em clínicas particulares, mal remunerado pelos planos de saúde. E quem não tem escolha enfrenta nos plantões a ira de pais desesperados por seus filhos. Em outras palavras: a situação tende a piorar.

(...)O alarme faz sentido. Das prováveis causas que têm afugentado os jovens médicos da pediatria, nenhuma parece reversível num curto prazo. A principal é a baixa remuneração. Um pediatra, depois de estudar seis anos e ter no mínimo 5 mil horas de treinamento, ganha pouco mais de R$2 mil. Então ele entra numa sala de parto e descobre, estupefato, que recebe R$20 por por cirurgia ante os R$110 de um obstetra. E se sente menos médico que outros médicos.

Depois de um ano de residência médica, Enna Cristina Liu, de 26 anos, desistiu de fazer pediatria. No HC, descobriu que sua vocação não devia ser aquela. Afinal, quem gosta da área não pode se importar tanto com os cansativos plantões, o desgaste no contato com os pacientes, a tensão na UTI, os megacuidados do berçário. Formada pela Universidade de São Paulo, ela recomeçou em outra área, a de medicina da família. Pensa em fazer nova residência, mas por enquanto atua como médica de uma unidade básica de saúde no Ipiranga, com trabalho de 40 horas semanais e salário de R$4 mil. "Quero ter tempo para estudar, viajar, ficar com os amigos, ir à igreja. Na residência médica tive de abrir mão de muita coisa."

Até os anos 90, pediatria figurou algumas vezes entre a mais cobiçada das especialidades, quando havia uma prevalência de homens. Com o aumento expressivo de mulheres estudando Medicina, a área sofreu uma feminização. Paralelamente, o mercado saturou-se. Interessado em ganhar mais, o jovem procura subespecializações. "Vejo que ele gosta de áreas relacionadas a máquinas, às novidades." Atrás de uma máquina, seguramente não há um pai ou uma mãe cobrando a cura de seu filho...

Fonte: O Estado de S. Paulo - 14/05/06 - disponível no site da Sociedade Mineira de Pediatria - http://www.smp.org.br/atualizacao/view.php?id=2484

RESIDÊNCIA, SOLIDÃO E DISCIPLINA MILITAR...


O ano da Residência me fez lembrar uma conclusão dos tempos do vestibular: é muito ruim estudar sozinha. Melhor é reunir ao menos mais uma pessoa, que tenha tanto conhecimento quanto você, e estudar juntos. Porque ler páginas e páginas sem trocar uma idéia com alguém chega a ser insuportável dependendo do seu grau de chateação...

Andando por sites de medicina (para arranjar vontade de estudar nesta sexta-feira, véspera de mais um final de semana de SJT + Memorial...), vi uma dica muuuito pertinente:

Cansado de tanto estudar para a residência médica? Vá investir na bolsa de valores em ações e opções!

Sábia colocação! Se não precisasse de dinheiro para isso eu largava esse computador já!

Outra dica excelente:

Sem tempo para estudar para a prova de residência médica, o recém-formado em medicina Adriano de Oliveira Seixas, 26, começou a praticar o sono polifásico para conseguir algumas horas extras de estudo nas madrugadas, porque trabalhava diariamente das 8h às 19h. Durante seis meses, dormiu três horas por noite, complementadas por cochilos de 20 minutos programados a cada seis horas durante o dia.

Agora olhem bem para mim e vejam se eu tenho perfil de quem dorme 3 horas por noite! Juro que gostaria muuuito que isso acontecesse, mas devo sofrer da doença crônica do sono, aquela que encerra o expediente diário às 8 da noite e não o reinicia antes das 6 da manhã. Claro que ando me prejudicando infinitamente com essa minha total incapacidade de ficar acordada até tarde. O Capitão estranhou no início - porque eu não pareço estar dormindo, pareço estar EM COMA - mas agora já se acostumou com minha hibernação noturna, onde eu não falo, não respondo a estímulos, não me mexo, nada. O único problema é que são tantas páginas de apostila para ler, mas tantas, que eu precisaria de fato dormir umas 3 horas apenas para tentar dar conta...

É, eu reclamo muito mesmo. Se precisa de tanto tempo assim, então pare agora de ler bobagens na internet e vá estudar, não é verdade? Já é 1 e meia da tarde, chega de fazer corpo mole! Um, dois, um, dois!

Ordinário, MAAARCHE!!!


sexta-feira, 20 de março de 2009

CANSADA DISSO TUDO...


Eu leio blogs de pessoas que nem conheço e também deixo recados, mas foi estranho ver isso acontecer aqui no Veleiro (vide post anterior). Não é engraçado ver que a minha vidinha despertou curiosidade em alguém?

Chegou a sexta-feira, mesmo que eu tenha seminário de Ginecologia para apresentar hoje, enfermaria amanhã e plantão domingo. Mesmo assim a sexta-feira parece sempre mais leve...

Tomara que dra. Mariléa me deixe ficar no ambulatório de manhã para eu poder me recolher em casa durante toda a tarde...

5 e meia e começa tudo outra vez...

segunda-feira, 16 de março de 2009

O ÓBVIO


Levei ponto de corte no concurso do Estado. Na verdade eu poderia estar muuuuito triste, mas estou só triste. Qual é a novidade no fato de eu fazer um concurso e não conseguir passar? Por acaso é a primeira vez que isso acontece na minha vida? Não, e esse Veleiro sabe disso. Claro que eu queria ter pelo menos livrado o ponto de corte - porque de certa forma isso faz vergonha - mas não muda o conceito que tenho sobre mim mesma. Eu teria mais capacidade de ser médica se não tivesse trocado a resposta de 4 questões (as quais tinha acertado e errei porque mudei)? Teria livrado o ponto de corte, mas acertar 27 soaria tão medíocre quanto as 23 que acertei. Fim de papo.

Era para eu estar muuuito triste, porque nenhum dos meus amigos levou ponto de corte, todos estão concorrendo a uma vaga, nem que seja daqui a 2 anos, enquanto eu não tenho direito nem de sonhar. Porque quero ser pediatra e essa prova só vem comprovar que eu não sei nada de clínica, nada de cirurgia e - agora - nada de pediatria também. Que eu estou me formando em medicina mas não sei nada. Talvez para quem esteja de fora o simples fato de estar se formando já signifique muita coisa, mas quando você lida diariamente com outros estudantes que conseguem responder às perguntas dos preceptores nas visitas, não se embananam dentro do bloco cirúrgico e ao menos livram o ponto de corte nos concursos é possível ter bem claro que só terminar o curso NÃO QUER DIZER que você seja médico. E todo dia eu olho para mim mesma e pergunto: "Como é que eu consegui chegar até aqui e não sei isso?".

Assim, levei ponto de corte, mas isso não chega a ser uma decepção. Ao contrário, se eu passasse é que seria uma surpresa. Levar ponto de corte significa que eu sou uma formanda medíocre? Tá, e qual é a novidade? É exatamente isso que eu vejo em mim todos os dias, que eu vi durante o mês inteiro que passei com Bacelar no IMIP, cada vez que ele perguntava o óbvio e da minha boca não saía nada que se aproveitasse, ou que vi na última sexta-feira, no bloco cirúrgico, quando eu não lembrava mais como se fazia uma sutura simples. Se quase todas as palavras em medicina me soam "familiares" mas poucas têm um "significado", no meu penúltimo rodízio, faltando 19 semanas para o fim do curso, o que mais se podia esperar do que levar ponto de corte?

Não dói tanto levar ponto de corte: dói muito mais ter consciência de que eu não sei. Tinha staff do IMIP fazendo prova na minha sala: eles têm muito mais direito de passar do que eu, certamente vão atender melhor as criancinhas, são pediatras de verdade, com residência, com experiência. Se eu fosse uma boa doutoranda, uma doutoranda da qual os preceptores lembrassem e falassem bem (como falam de alguns que já passaram por eles), aí tudo bem, sempre vai haver concurso e, mesmo que não haja, nunca vai faltar emprego para pediatra nesse Brasil. Eu podia sonhar com a residência e ficar com a consciência tranquila. Mas eu sei que não sou uma boa doutoranda, sei porque lia isso nos olhos de Bacelar (Bacelar era meu preceptor no IMIP, excelente, inteligentíssimo e gente da melhor qualidade), e vou ficando pra trás porque para ser médico é preciso tem competência. E sinceramente, é seleção natural, as girafas de pescoço curto, mais cedo ou mais tarde, acabam morrendo de fome...

Chega.

"Os ancestrais das girafas, de acordo com o documentário fóssil, tinham pescoço significamente mais curtos. O comprimento do pescoço variava entre os indivíduos das populações ancestrais de girafas. Essa variação era de natureza hereditária. Indivíduos com pescoço mais longos alcançavam o alimento dos ramos mais altos das árvores. Por isso, tinham mais chance de sobreviver e deixar descendentes. A seleção natural, privilegiando os indivíduos de pescoço mais comprido durante milhares de gerações, é responsável pelo pescoço longo das girafas atuais."

(http://www.webciencia.com/14_girafa)

quinta-feira, 12 de março de 2009

E POR QUE NINGUÉM SE LEMBRA DE MIM???


Pronto: cheguei no meu Veleiro e minha vontade é levantar âncora (veleiros têm âncora???) e ir embora. Estou com uma sinusite terrível, uma dor de cabeça que não passa desde ontem, durmo e acordo com ela, N-A-D-A resolve e nem sequer alivia. Domingo é o concurso do Estado, para o qual eu me inscrevi de enxerida que sou, mas já me arrependi faz tempo de ter gasto 100 reais para nada (como se eu pudesse ficar por aí sacudindo 100 reais ao vento...). O Capitão foi fazer não-sei-o-quê na Rural desde as 3 da tarde e até uma hora dessas não voltou; enquanto isso eu fico aqui com fome e sozinha. Baixei provas de pediatria para resolver - porque a essa altura eu não vou ficar lendo teoria de Medcurso - mas minha cabeça não parece estar em condições de pensar em nada...

Por que eu tinha que escolher o caminho mais difícil, hein? Por que não fiz qualquer outra coisa na vida? POR QUE EU TINHA QUE QUERER SER MÉDICA???

Momento de crise existencial. Toda mulher tem um desses ao menos 1 vez por mês...

sexta-feira, 6 de março de 2009

MEU CORAÇÃO EM TUA CRUZ


O rodízio de Pediatria é morto. Segunda-feira começa o de Ginecologia. Em maio, Clínica Médica. E depois, caso eu sobreviva, alea jacta est: terei terminado esse curso sem fim.

Um comentário sobre a bola da vez da imprensa local: o caso da menina de 9 anos estuprada pelo padrasto e ex-grávida de gêmeos. Fizeram o aborto da menina e agora a nova mania nacional é crucificar Dom José Cardoso por ter dito que todos os envolvidos no processo (exceto a garota) estão automaticamente excomungados pela Igreja. Peraí, devagar com o andor! Faço minhas as palavras do filósofo Cardinot: quem é católico praticante SABE que aborto é pecado, condenado pela Igreja, sendo uma infração ao 5º mandamento (Não matarás). Está no Catecismo, não é invenção de Dom José. O Código de Direito Canônico pune os praticantes deste pecado com a excomunhão. Isso é automático e INDEPENDE da vontade do arcebispo: ele apenas faz o que a lei da Igreja manda. Agora, se a lei brasileira aprova o aborto em casos de estupro, pois bem, é uma posição dela. A Igreja não é obrigada a ir contra os seus princípios - construídos sobre uma base de mais de 2000 anos - para atender à legislação do país A ou B. Para ser bem sincera, neste país ninguém pergunta a posição da Igreja para tomar decisão nenhuma, ou pergunta? O Ministro da Saúde perguntou o que o bispo achava antes de autorizar a distribuição de camisinhas no Carnaval, pregando a prática do sexo livre e "seguro"? Diga-se de passagem, se alguém de fato usasse aquelas camisinhas eu não via o que vejo no Memorial, aquelas mulheres sem nenhum futuro, já HIV positivas, dando à luz criança atrás de criança, sem a menor preocupação com a vida delas. Mas ele acha que distribuindo preservativo e fazendo comercial na TV está evitando a propagação das DSTs. Ninguém quer saber o que a Igreja acha disso, nessa hora a opinião do bispo não tem nenhuma importância. Agora numa questão polêmica como a dessa menina, em que todo mundo fica cheio de dedos para dar uma posição, aí sim, chama o bispo, pergunta o que é que ele acha, para depois cair em cima dele. Quer dizer que agora o fato de todo mundo ter sido excomungado importa? É todo mundo santo, frequentador da Igreja, e estão deseperados com o fato de não poderem mais receber a comunhão? Se fossem, sabiam que aborto era pecado, sabiam que iriam se punidos e NÃO TINHAM FEITO. Se fizeram, então vamos deixar de hipocrisia porque isso significa que a opinião do bispo não tem importância nenhuma.

Não sou defensora de Dom José. Acho que ele é muito severo e erra bastante em várias questões. Mas nesse caso eu tenho que defender a minha fé e a minha Igreja. O Ministro do Meio Ambiente disse na TV que estava "revoltado" com a posição de Dom José. Senhor ministro, com todo respeito, o senhor fica igualmente revoltado com o fato de que a lei brasileira condena os estupradores a NO MÁXIMO 10 anos de prisão? Ou seja, o senhor fica revoltado com o fato de que o monstro que abusou dessa menina por 3 anos (desde que ela tinha 6) provavelmente vai ser solto antes que ela entre na maioridade? Isso revolta o senhor? Será que só existe ela no país inteiro? Cardinot deu pelo menos mais 3 exemplos recentes, inclusive de uma menina de 10 anos que engravidou e TEVE O BEBÊ do padrasto. Se as autoridades usassem a "revolta" de que falou o ministro para tornar as leis mais rigorosas e punir verdadeiramente esses criminosos, talvez tivéssemos resultados mais efetivos e não precisássemos mais discutir se devemos ou não permitir o aborto em casos parecidos com esse. Até porque, pergunto eu, tirar os gêmeos da menina resolveu o problema ou apenas aliviou o incômodo da sociedade de ver sua hipocrisia crescendo junto com a barriga dela?

Sou contra o aborto, como católica e (quase) médica. Em qualquer circunstância. Mas não sou capaz de condenar essa menina nem a mãe dela, apenas acho que não deveria ter sido feito. Entretanto, já que acharam melhor fazer, muito bem, agora aguentem as consequências. O resto, deixemos aos cuidados da justiça de Deus.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

CADEIA

  • O Memorial não me pagou. Eu trabalho desde dezembro e ainda não recebi um centavo.
  • Consequentemente eu não paguei o SJT.
  • Consequentemente o SJT bloqueou meu cadastro.
  • Consequentemente eu não poderei assistir às aulas deste final de semana nem fazer os minissimulados da semana que vem.
  • O simulado regional é no dia 13.
  • Não estou dando conta das apostilas (além de tudo eles são loucos e acham que a gente só tem isso pra fazer na vida: estudar as apostilas do SJT).
  • Supondo que eu vá conseguir pagar até lá, tem sentido fazer um simulado sem estudar?
  • Minha câimbra do escrivão ainda não me deu trégua.
  • Alguém tem um buraco onde eu possa me enterrar?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

SE NÃO PODE ESCREVER, ENTÃO NÃO ESCREVE!

No dia em que a câimbra do escrivão ataca, que a mão não consegue nem segurar o lápis, quanto mais escrever, e você tem um zilhão de coisas para estudar (só pra variar...), o único caminho é:
  • Parar
  • Respirar
  • Usar o Microsoft Word
  • Esperar a crise passar

Não quero nem me aperrear dessa vez...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

PARA QUEM NÃO É CHEGADO EM CARNAVAL...


Para quem não gosta de frevo, multidão, calor, aperto, gente feia roçando na sua pele, a melhor coisa a fazer no Carnaval é... dormir. Dormi, acordei, comi, dormi de novo. Agora acho que vou levantar para dar um jeito na casa. Talvez ainda saia à noite, se não chover, se não acontecer nada que impeça. Amanhã vou trabalhar outra vez. Mas dinheiro, que é bom, cadê? Na minha conta ainda não chegou...
Devia haver um Disk-Coca. Eu ligaria agora mesmo...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

PORQUE VALE A PENA CHORAR


Chorei como se tivesse guardado em mim todas as lágrimas desses 26 anos. Chorei com cena de novela da televisão, com comercial de cachorrinhos, com a vida que não anda pra frente. O Capitão dormindo como se nada estivesse acontecendo. Chorei tanto que lavou a alma. Depois fui arrumar minha casa, que estava uma bagunça. Troquei as roupas de cama, vesti a camisola, fechei as portas, arrumei a bolsa de ir amanhã. Faz tanto tempo que eu não vou dormir assim, como gente normal, de banho tomado, em vez de dormir com a roupa que estava usando em casa, por cima dos livros, sem tirar a colcha nem apagar a luz. Mesmo que eu ainda tenha que acordar às 4 horas para ler sobre a doença de um dos meus pacientes. Vou fechar os olhos cheirando ao hidratante que hoje tive forças para passar. E leve. Uns 10 litros mais leve...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

QUANDO NADA DÁ CERTO...


Para que uma coisa dê certo na sua vida, você precisa ter vontade. Quando eu quis trancar a faculdade de enfermagem para tentar o vestibular de medicina pela 5ª vez, o que me moveu foi a vontade de passar e realizar um sonho. Se não houver vontade, qualquer pequena difiuldade vai parecer intransponível. O post de hoje começa mais ou menos assim...

A semana tem 7 dias e todos os 7 eu passo dentro do hospital. Não há um final de semana sequer, não há uma mísera manhã de dia útil em que eu possa acordar e tomar café tranquilamente porque vou ficar em casa: é sempre correndo para não perder o ônibus e chegar atrasada. Sábado sim, sábado não eu chego no IMIP às 6 e meia, evoluo os meninos nas carreiras e vou andando até a Conde da Boa Vista atrás de um ônibus que me deixe no Pina; aí são mais 6 horas de aula no SJT. Sábado de Carnaval, dia do Galo, quando quase ninguém vai estar na rua Imperial e adjacências, eu vou ter que sair de casa para evoluir no IMIP e seguir direto para o Memorial Guararapes - que fica pertinho, em Prazeres - de ônibus. Até agora vou folgar na segunda, terça e manhã da quarta (sim, porque à tarde terei que estar no IMIP de novo...), mas nada está confirmado.

Então o Capitão diz: "Sim, mas quem quis isso foi você!". E ele tem razão. Quem me obrigou a fazer medicina? Quem me obrigou a escolher o IMIP? Quem me obriga a dar plantão no Memorial? E quem me obriga a fazer SJT? Posso até ter uma resposta pronta para cada uma dessas perguntas [meu sonho me fez fazer medicina; precisava rodar no IMIP para decidir onde quero fazer minha residência; preciso M-U-I-T-O do (pouco) dinheiro que o Memorial me paga; o SJT é uma ajuda para estudar para a residência], mas a verdade é que foi escolha minha e pronto. Médico tem que estudar. Tem que dar plantão de 12 horas, chegar em casa morto e ainda estudar. Acabou-se.

Entretanto, voltando ao começo, para que uma coisa dê certo, é preciso ter vontade. É assim então que eu não estou conseguindo dar conta das apostilas do SJT: uma após outra vai surgindo e uma após outra vai ficando incompleta... É assim que não leio 1/3 dos capítulos que deveria ler para o IMIP: passo o dia lá fazendo papel de peão, chego em casa abusada disso e vou dormir às 9 e meia... E é assim, seguindo essa marcha, que não vou passar em residência nenhuma e me tornarei uma médica medíocre. Acabou-se outra vez.

O Capitão tem razão quando olha para mim e diz: "Você não está estudando, depois que não passar não venha com conversa mole". Quando não existe vontade, tudo é desculpa. E eu não estou estudando.

Agora já são 5 e meia da manhã e o IMIP me espera de novo...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

PROVA DE AMOR


Quando o Capitão sai para comprar pão e volta com uma Coca de 2 litros nova e gelada só para me ver feliz, eu chego à conclusão que: SIM, ELE ME AMA DE VERDADE... =D

Ainda sem tempo, estudando de madrugada...

Beijos!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

DOENDO, DOENDO, DOENDO...


Dei 36 horas seguidas de plantão no último fim de semana para não precisar faltar ao curso neste domingo. Entretanto uma cólica dos infernos me fez voltar pra casa antes do final da aula. Tudo bem, 14 horas de aula já estavam mais do que suficiente...

Ainda não consegui terminar a apostila de Neuro (faltou pouco, mas às custas do abandono total dos assuntos do internato) e já chegou a 1ª metade da de Cardiologia, com suas 130 páginas de pura teoria, sem falar nas outras só de questões. Estou quase infartando, sem direito a acordar tarde em nenhum dia da semana, dentro de um hospital 7 dias seguidos, tendo que estudar para a Residência, para o rodízio no IMIP (lugar de gente doida) e ainda tendo que viver (se sobrar tempo...). Eu só queria dinheiro para tomar Coca-cola até explodir, e nem mesmo isso me é concedido!

Por isso que não adianta querer escrever no Veleiro: NÃO HÁ TEMPO. Além de tudo estou me sentindo abandonada e terrivelmente mal amada pelo Capitão, aquele homem pouco romântico com quem resolvi me casar. 12 anos e eu sentindo falta da mesma coisa. 12 anos e eu sem me acostumar com esse jeito que ele tem de gostar de mim, esse jeito que não inclui beijinho ao dormir nem ao levantar, não inclui telefonemas durante o dia para perguntar "Como vai, amor?", não inclui palavras bonitas num momento de estresse... Esse jeito "Capitão" de amar você e ficar grudado no computador, amar você e não atender o telefone, amar você e virar pro lado e dormir. Sei o que eu faço mais não...

Como reclamei dele nesse post, é bem capaz de ele resolver lê-lo (porque o Capitão adivinha e só lê os posts que podem deixá-lo chateado); melhor já adverti-lo de que muitos dos meus atuais sentimentos são fruto de um cansaço sem tamanho e de um desajuste mensal de hormônios, que produz uma cólica dos infernos e gera total falta de paciência. Ou seja: Capitão, não tem jeito, amo você e agora é pra sempre.

Tchau e até um dia que dê pra folgar de novo...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

SORRY

Não tenho mais tempo de escrever no Veleiro. Isso é triste, mas... sinto muito.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

PARA QUE SERVEM OS HOMENS, HEIN?


O que eu estou sentindo agora é uma dorzinha de cabeça chata, daquelas que não te incapacitam mas passam o dia inteiro lembrando que estão por aqui... Tenho que organizar meu horário de estudos baseada nos assuntos dos seminários do IMIP, nos assuntos que Dra. Luciana vai discutir na enfermaria nesta semana e nos assuntos da prova do rodízio. Não sei, é tanta coisa, mas tanta coisa, que eu fui ficando por aqui, mexendo na internet, olhando o Orkut alheio, só perdendo tempo com bobagens...

O Capitão é uma pessoa difícil. Talvez seja com todos os homens - conheço um outro que tem crises parecidas - mas só posso falar do meu. Liguei pra ele quando estava saindo do IMIP pedindo que cozinhasse o macarrão para eu fazer uma lazanha pro almoço. Ele chiou, mas disse que fazia. Vejam que eu só pedi que adiantasse o macarrão, o resto era comigo, e mesmo assim ele chiou. Pois bem, cheguei e o macarrão estava pronto, mas parecia que tinha passado o furacão Katrina pela cozinha. Não sei como uma pessoa só, tendo unicamente a tarefa de cozinhar macarrão, consegue fazer um estrago daquele. Preparei a lazanha, tomei banho, salvei a cozinha e fomos almoçar. Depois do almoço o Capitão recolheu-se aos seus aposentos e foi curtir um ronco pós-prandial básico; eu assumi meu lado doméstica, lavando, limpando, arrumando. Terminado o dever, tomei outro banho e me transformei na doutoranda que tem um zilhão de coisas para estudar: o Capitão acordou - contrariado - às 4 da tarde, trocou de roupa e resolveu malhar (porque está com a vida ganha). Eu fui mostrar um documento que não abriu no meu computador, e como ele não me deixava explicar que documento era (falando feito uma matraca), eu disse: "Não é esse não, menino. Tá vendo como você é agoniado?". Pronto: estava decretada a 3ª Guerra Mundial.

Me ajudem: eu falei o quê de tão grave? Eu cheguei do IMIP, fiz almoço para os dois, limpei a cozinha, varri a casa, coloquei roupa pra lavar, tudo isso antes de estudar, enquanto o Capitão dormiu tranquilamente, sem ser incomodado (mesmo que uma ajudinha fosse bem-vinda...), acordou 2 horas depois e ainda saiu zangado, com a cara mais feia do planeta, como se tivesse tido uma tarde estressante! Eu fiquei aqui com cara de tacho me perguntando:

  • O Capitão é o único homem do Universo e eu tenho que beijar o chão que ele pisa?


  • Eu sou feia, burra e troncha, de modo que ninguém mais vai me querer e por isso eu tenho que bajular o único que me quis?


  • Se o Capitão se abusar comigo e me deixar, eu não terei nenhum futuro e nem de onde tirar dinheiro para pagar minhas contas, por essa razão não posso contrariá-lo de forma alguma?

Tem coisas que eu mesma não entendo porque deixo que aconteçam. Vou embora cuidar do meu horário de estudos que é o melhor que eu faço...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

SONO...


O ano começou com o rodízio de Pediatria no IMIP tornando meus dias curtos para tantas obrigações. Neste momento são 3h40 e eu ainda estou acordada, estudando meu caso clínico (cheguei na metade e só vou conseguir terminá-lo na próxima madrugada) e lembrando que tenho um seminário sobre Taquipnéias Transitórias do Recém-Nascido (eu tinha esquecido disso. Agora que lembrei lascou.). Dormi das 18h30 às 22h15, levantei, fiz meu almoço do dia seguinte (porque ainda não dá pra gastar 25 reais por semana com comida), tomei café (aprendendo a me acostumar com isso...) e mergulhei neste universo de possibilidades diagnósticas existentes numa simples criança com febre há 15 dias. Não sei se dará tempo de cochilar antes de começar toda a rotina de novo...

O pior, o mais desesperador, é que daqui a 10 dias começa o SJT e eu vou ter um bocado de coisas para estudar (além das coisas do internato) e que as residentes de pediatria passam até 48h sem voltar para suas casas, entre evoluções diárias e plantões noturnos. Ou seja, a tendência é piorar...

Não sei se aguento isso não... :(