terça-feira, 10 de abril de 2012

LUTO - SOBRE A EFEMERIDADE DA VIDA

No domingo de Páscoa a mãe de uma grande amiga de infãncia sofreu um grave acidente de carro e acabou falecendo. Sabe aquela turma de meninas do colégio, que se reúnem umas nas casas das outras, e cujas mães acabam cuidando de todas como se fossem suas filhas? Pois é, era assim. Por isso foi inevitável sentir a perda de dona Graça como se também nós estivéssemos perdendo um parente querido. Porque mãe deveria ser eterna, e quem acha isso levanta a mão! o/

A vida é um sopro. A irmã de uma paciente que morreu durante o meu plantão disse essa frase pra mim. A vida é um sopro: cuide de quem você ama, esteja próximo daqueles que lhe são caros. Ninguém pode garantir que teremos essa chance amanhã. Fazemos planos bestas sobre o que vamos fazer no próximo final de semana, nas próximas férias; deixamos para dar depois o abraço que poderia ser dado hoje. E quem garante que o amanhã virá, para nós ou para os outros? Claro que a esperança de que cheguemos em casa sãos e salvos após um dia de trabalho é o que move a vida, e não poderia ser de outra forma. Mas também não podemos perder de vista a certeza da efemeridade dessa existência. Cada minuto desperdiçado é um minuto perdido: não volta, por mais que queiramos. Minha amiga, grávida de 6 meses, chorava dizendo que não tinha tido oportunidade de desejar "Feliz Páscoa" à sua mãe. Tudo tão de repente, num piscar de olhos um carro fazendo uma ultrapassagem proibida em alta velocidade destruiu a vida de uma família. E isso pode acontecer a qualquer hora, com qualquer um.

Eu já escrevi posts parecidos, porque toda vez que alguém próximo morre brota dentro de mim esse sentimento de carpe diem. Aproveitar a vida, cuidar de pai, mãe, filhos, irmãos, amigos... Não se conformar em viver um dia-a-dia mais ou menos, mas, ao contrário, buscar um jeito de fazer da rotina um prazer. Ter coragem para mudar suas escolhas, se estas deixarem de ser as mais corretas. Trabalhar o suficiente para pagar as contas e se divertir, e não viver juntando patrimônio: dinheiro foi feito pra gastar e passar troco, só isso. Se pensarmos direitinho, tem tanta coisa simples que a gente deixa de fazer sei lá por quê! Tem tanta mágoa besta que guardamos dos outros, às vezes da nossa própria família, por motivos tão pequenos! E o tempo passa tão rápido!...

Enfim, dona Graça partiu, fez realmente a Páscoa, já que essa palavra em hebraico significa Passagem. Deixou um marido enlutado, após quase 35 anos de casamento, três filhos biológicos e outros tanto - como eu - que se sentiam adotados por ela, e dois netinhos, um deles ainda no ventre da mãe. E esse post não tem a intenção de ser triste, apenas de nos levar a uma reflexão. É um convite para que analisemos a que estamos dando prioridade na nossa vida, e quem sabe, para que decidamos mudar o rumo de nossa própria história, quando ainda há tempo. Porque enquanto existir vida, caros leitores, podem ter certeza, ainda há tempo.

Até a próxima!

3 comentários:

Vivian disse...

Que post mais lindo, Má! Apesar de triste pela perda da mãe da sua amiga. Mas é nessas horas que pensamos em muitas coisas que deixamos de lado por falta de tempo.
Bjo bem grande e brigada pela visita!

mamãe polvo disse...

Ma, lindo, arrepiei, passei por isso há pouquinho tempo, perfeito o que escreveu!
Bjos na Analú!

Chris Ferreira disse...

Oi Marcella,
sinto muito pela parda da mãe da sua amiga. A vide é mesmo um sopro. Linda a sua postagem!
Beijos
Chris
http://inventandocomamamae.blogspot.com.br/