sábado, 5 de maio de 2007

ACONTECE QUE EU DEVERIA TER NASCIDO BAIANA...


hahahaha Pobre de Ana Carolina! Nem adiantou eu colocar "apenas isso..." no título! Mas, para esclarecer, a música do post anterior apareceu apenas porque eu estava ouvindo-a no rádio e não tinha nada pra escrever no Veleiro. Não quero ser esquecida por ninguém! Muito pelo contrário: quero que passe a vida inteira lembrando e perguntando "Será que fiz a coisa certa?"! kkkkkkkkkkk ;-)

Achei um texto ótimo! É muito enorme demais (e olha que eu cortei várias partes), mas leiam! Vale a pena!

“Não sou preguiçoso. Sou contemplativo”, disse Dorival Caymmi, certo dia, depois de tanto se sentir importunado por perguntas a respeito de sua, digamos, contemplação excessiva. Mesmo assim, o adorável menestrel do devagar-quase-parando, compositor de pérolas do cancioneiro como “Acontece que eu sou baiano”, conseguiu resumir, em duas sentenças lapidares, como a preguiça pode ser saudável e prazerosa.
De uns tempos para cá, cultivar a preguiça virou moda. Uma onda de preguiçosos assumidos assola o mundo: só no ano passado foi lançada mais de uma dezena de livros sérios sugerindo desde a vadiagem propriamente dita ao boicote ao trabalho duro. As razões parecem óbvias. Cada vez mais gente chega à conclusão de que uma agenda lotada de tarefas a cumprir num mínimo espaço de tempo não é mais motivo de status, e sim uma fonte de frustrações pessoais, além de porta escancarada para uma série de males, que vão da estafa aos ataques cardíacos.
Ninguém aqui está dizendo para você jogar todo o trabalho para cima e viver o resto da vida de papo para o ar. Mas abrir espaço para momentos de preguiça pode ser um ótimo negócio. Tanto é que até mesmo árduos trabalhadores, como pesquisadores e cientistas, também chegaram a essa mesma conclusão. Eles agora dizem que uma boa dose de indolência faz um bem danado para a saúde e, pasme, nos faz viver mais e melhor.
Então, por favor, dê uma bela espreguiçada e acomode-se. Sem culpa.
(Ah... Que delícia...)
Vamos esclarecer uma coisa: preguiça é a arte de não fazer rigorosamente nada. Isso quer dizer nada de oficialmente produtivo, bem entendido. A hora da preguiça pode ser um momento de contemplação, como ensina o mestre Caymmi. Pode ser coçar as costas por horas a fio. Pode ser tirar uma soneca. Pode ser ainda ficar deitado numa rede olhando para o céu e imaginando mil formas para as nuvens lá em cima ­ou as rachaduras do teto, se preferir. Afinal, cada um faz nada do jeito que achar melhor. O que importa é apreciar esse momento de devaneio, de recolhimento e quietude como algo que pode ­ e deve ­ ser incorporado a sua vida.
Quem curte ­e cultiva ­a arte de não fazer nada tem bons motivos para comemorar. Os pesquisadores alemães Peter Axt e Michaela Axt- Gadermann passaram anos estudando o assunto e chegaram às seguintes conclusões, publicadas no livro The Joy of Laziness (“A alegria da preguiça”, ainda sem edição brasileira): levantar cedo causa estresse e prejudica a saúde; uma soneca no meio do dia ajuda a prolongar a vida; e, se o objetivo for viver mais, então você deve evitar o excesso de exercícios físicos.
(Adorei isso!) “Assim como os animais, nós também precisamos poupar energia para assegurar uma vida longa e saudável. Devíamos fazer como os bichos: criar o hábito de bocejar mais e espreguiçar bastante para ajudar na circulação do organismo”, diz Peter Axt, porta-voz da lentidão no meio científico. Outros cientistas, estes da Universidade de Pittsburg, nos Estados Unidos, acompanharam mais de 12 mil pessoas durante nove anos e chegaram à conclusão de que aquelas que se entregavam ao repouso nas férias tinham menos chance de sofrer de problemas cardíacos.
Além de ajudar a viver mais, a moleza pode inspirar a genialidade. Pelo menos é o que garante o procrastinador convicto Tom Hodgkinson, jornalista britânico, autor do livro que carrega o sugestivo título Como Não Fazer Nada. “René Descartes não saía cedo da cama nem por um decreto. Deixaram ele ficar ali, pensando. Se ele tivesse levantado muito cedo, acabaria ocupado demais com tarefas rotineiras, e não teria tempo de perceber e propagar ao mundo a teoria de que existimos porque pensamos”, teoriza. Isso para não falar do patrono desta reportagem, Dorival Caymmi, que, dizem, sequer saiu da rede para compor algumas das mais lindas canções de que se tem notícia.
Aderir à indolência é uma arte. E, como tal, deve ser feita sem preocupações. Caso contrário, ela não trará nenhum efeito benéfico nem para a mente nem para o corpo. Mas o que fazer então? Entregar-se de corpo e alma à frouxidão total dos músculos? Deixar de trabalhar? Não é bem assim. Mas um bom passo para começar a admitir uma dose de preguiça gostosa na vida seria tentar diminuir o número de tarefas a cumprir diariamente ­mais qualidade com menos quantidade. Você já deve ter ouvido isso em algum lugar, inclusive. Demócrito, pensador grego do século 5 antes de Cristo, já dizia que ninguém pode ser feliz tendo muitas coisas a fazer.
(Eu concordo!) “Ocupe-se pouco para ser feliz”, escreveu.
Imaginar nossa vida com espaço para a preguiça pode ser meio complicado. Toda vez que estamos de bobeira, olhando para o alto, a primeira sensação que bate é “será mesmo que não tenho nada para fazer?” E vem a danada da culpa. Mas, antes de assumir a culpa de que há milhões de afazeres no mundo à sua espera e levantar-se correndo da rede, vale uma breve reflexão. São só alguns minutinhos, não se preocupe. Mas eles podem valer muito, acredite.
Trata-se de definir quais são suas prioridades na vida. É difícil, sim, todo mundo sabe. Mas, diante de tantas possibilidades, é preciso saber o que é fundamental para você ­ e não o que os outros acham que é fundamental. Procure esquecer um pouquinho os milhões de compromissos e reflita sobre seus reais valores. O que seria mais importante nesse momento: cochilar um pouco depois do almoço ou correr para terminar um relatório que pode ser entregue só amanhã? Atender ao celular ou apreciar o pôr-do-sol que vai acabar em instantes? É preciso mesmo conferir os e-mails a cada três minutos? Que sentido essas tarefas todas fazem na vida? Essas perguntas questionam a própria existência e devem ser pensadas com absoluta calma. Responder a essas e outras questões significa que você está tomando as rédeas da sua vida. E essa é a essência para abrir espaço ao relaxamento, ao devaneio, à doce contemplação. À preguiça, enfim. Não há nenhuma fórmula pronta para chegar lá ­ o jeito é exercitar. Disse certa vez Santo Agostinho, um dos fundadores da filosofia medieval: “O que é o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei. Mas, se eu quiser explicar a alguém, eu não sei”.


Nesse negócio de preguiça eu já estou é exagerando... Acho que levei esses conselhos muito a sério... Estudar de vez em quando também não faz mal a ninguém... :-D

2 comentários:

Luciana Amâncio disse...

(...)"se fizer bom tempo amanhã, se fizer bom tempo amanhã... eu vou... [trabalhar], mas se, por exemplo, chover, mas se, por exemplo, chover...não vou!!! Não vôoou, nem tô...! Nãaao tô, nem vou!!!"... Viva Caymmi!!! Sempre disse que a velocidade da Vida deve ser "caymmica"... me chamam cínica, por conta disto! Ora, mas sem "paraaadas" eu não faço poesias, não reflito sobre a Vida, não me aproprio do Pensamento Filosófico - pra poder, então, trabalhar a Filosofia em sala de aula! -, tampouco sem "paradas" e balançadas de rede eu poderia ter alguma relação coerente com as artes, entre estas, a Música - campo onde eu muito aprecio o TRABALHO de Caymmi...!

Marcella sabe que eu não pensaria na carreira médica, primeiramente, porque médicos trabalham bastante! - professores também, é certo... - e, antes, estudam bastante - bons professores também! -, no entanto, enquanto professora eu posso fazer "time outs", inclusive, junto aos alunos na hora do trabalho... Mas vá um médico, durante uma cirurgia, convidar um paciente a refletir sobre o "valor da Vida"...! OoooOoô, profissão corrida esta de minha afilhada!!! Eu, cá, moro na Filosofia... e o meu trabalho pode vir, às vezes, pra rede comigo...

...ui! canseeei...! rsrsrs

Adoooooooooooorei este POST!!!!!

Maria Carolina disse...

Ouxe... eu sou a filha de Dorival Caymmi...
Herdeira de toda a preguiça...
Ah... como é bom fazer nada no fds...
fazer nada é o q faço melhor... Ah...

Beijos