quarta-feira, 14 de março de 2007

ALÔ, NOÉ, ESTOU POR AQUI!


De repente, terça-feira no HR, e mais uma vez sem conseguir superar o bloqueio que existe entre mim e aquela emergência; resultado: ontem eu fiz tudo errado. 10 plantões desde 12 de janeiro: fugi de 3, faltei um.

Fui dormir querendo esquecer que havia tido noite nessa terça-feira, mas acordei com a mesma sensação de inutilidade de ontem. A única pessoa do mundo que consegue fazer um drama de um plantão. Mas, chega, eu não quero mais divagar sobre as minhas dificuldades pessoais em ser dinâmica e ativa. O que precisa ser feito é enxergar um propósito e tomar uma decisão.

Eu não sei se há propósito naquele plantão do HR, mas deve haver, senão Deus não tinha me colocado lá. O que eu sei é que minha presença naquele hospital não tem nenhuma utilidade, e isso me incomoda bastante. Sei também que nesse momento não enxergo nenhuma forma de resolver isso. Sei que estou terminando o 7º período e não me encontrei nesse curso. E cada vez que acompanho papai nas suas consultas e escuto o médico me perguntar detalhes sobre as doenças e os exames, me convenço disso.

Leio um texto bonito no site da Canção Nova, que diz: Deus nos fez para sermos ÁGUIAS.

“Ainda que nossos pés sangrem, caminhar é preciso...” A própria jornada da vida traz em si o “bálsamo cicatrizante” e o alívio necessário ao final de mais um dia. Certamente, as novidades, que vão surgindo a caminho, servirão para valorizar os passos dados, mesmo que a muito custo. Se para nos tornar mais leves na caminhada for preciso abrir mão daquilo que nos deixa pesados e lentos, é preciso que tenhamos a coragem de fazer isso, renunciando a tudo o que for necessário. Não se pode abraçar o “novo”, quando ainda não se abriu mão do passado. O apego a pessoas, coisas, sentimentos e conceitos nos impedem de alçar vôos, tornando-nos “rasteiros” e mesquinhos. E Deus não nos criou para vivermos assim. Somos feitos para as alturas, temos vocação de águias. Somos cidadãos do Céu!

Então eu, vocação de águia, estou me comportando como uma galinha: tenho asas, mas não vôo. Tenho tudo o que preciso para chegar lá, mas algo me deixa tão pesada e lenta que não consigo sair do chão. Talvez medo, de tudo, dos gritos, do sangue escorrendo, do apertado entre as macas. É, eu sei que todo mundo aqui vai me entender, ninguém quis fazer medicina justamente por causa disso (até Carol vai me entender, porque ela também não gosta de trauma...), mas o HR não está interessado nas minhas novelas pessoais, não é mesmo? E eu cansei desses capítulos sem fim.

E uma última metáfora inspirada no site da Canção Nova:

Quando Deus mandou o dilúvio e encheu a terra de água, Noé construiu uma arca e ficou lá esperando as águas baixarem. Tudo ao redor estava inundado e ele nada podia fazer enquanto a terra não aparecesse de novo. Todo dia Noé soltava uma pombinha, que voava, voava e - como não encontrava lugar pra pousar - voltava sempre para a arca. Assim, dia após dia, Noé soltava a pombinha e esperava as águas baixarem...

Enquanto não podia sair do barco, Noé cuidava dos animais que tinha levado, dava comida, limpava o chão, lavava roupa, enfim, fazia sua rotina normal, o que desse pra fazer dentro da arca. Aí, um dia, a pombinha voltou com uma folha de oliveira no bico. Noé compreendeu que as águas estavam começando a baixar. Esperou mais 7 dias e soltou a pombinha de novo: ela não voltou mais. Então Noé levou seu barco para a praia e começou de novo a sua vida...

Pois é, Noé, eu também estou por aqui, esperando as águas baixarem...

2 comentários:

Luciana Amâncio disse...

Nó é...
A vida é nó!!!
Mas quem dá nó em goteira amarra sombras com cipó...
E tenho dito!

rrsrsrsrs

Xêro

mar disse...

o q sobra é ter a esperança q as aguas calmas e melhores vao chegar